quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Dias de temporal e de afectos sentidos


Perdida por entre temporais de água e ventos de gelo, aproveito para viver o que a ilha tem de melhor para oferecer: a simpatia das gentes, o afecto dos lugares amados, o calor dos amigos e o conforto da família. Por estes dias de quadra festiva, a Internet é quase um lugar distante. E até isso, de vez em quando, sabe muito bem.
Foto: Baía de Porto Pim/ Autor desconhecido

Retrato de um homem que desfiava grãos de areia

«Por entre os dedos das mãos desfias contas de areia, dourada como os infindáveis sonhos que te invadem o pensamento, negra como os fugidios desejos que te atrofiam o coração. Desfias um punhado atrás do outro, numa sequência interminável que não se limita a matar o tempo, mas antes a escoá-lo numa rede minuciosa, construída para não deixar passar pedaço algum de coisa nenhuma. Desfias e voltas a desfiar, com a concentração que se exige a uma nobre tarefa, entregue só a quem não tenha medo de respingar o pedaço de praia deserta que outros frequentam.

És um homem submerso. Pela água, pela vida, pela realidade. Nasceste com o azul no olhar, mas deixaste que a negridão te consumisse a alma com a velocidade das coisas de outro século, vagarosa e demoradamente.

Enquanto os dias pesados te escorrem por entre os dedos, gastos pela vida e coçados pelo mar, vês em cada grão de areia o que podias ter sido e não foste. Analisas cada hipótese de caminho não percorrido com a minuciosidade das coisas programadas, esquecendo por momentos que o trajecto da hipótese é nada mais do que a queda perfeita no imenso areal onde ontem foste um menino feliz.

Olhas a areia como se olhasses a perfeição. Como se dentro de cada grão encontrasses o sumo da vida que em vão procuraste no fundo do mar, onde as rochas e os corais se confundiam com os seres humanos e os humanos pareciam seres deslocados, forçados a entrar nesse teu mundo encharcado e triste.

Agora, passas os dias à porta do café, sentado de frente para os sonhos dos outros e de costas viradas para esse mar, onde em tempos te achaste por inteiro e depois te perdeste, quiçá para sempre.

Passaram muitos anos desde a última vez que sentiste na pele o rebentar das ondas. Já não mergulhas, nem ousas sequer passear na tranquilidade da maresia. Dizem que foges da água e de tudo o que ela representa.

Sentado na soleira da porta, passas os dias na companhia da barba branca que esconde o teu sorriso amarelecido. A tua pele está encarquilhada e as costas curvadas, mas o olhar carrega ainda o peso da água que um dia te desaguou no peito.

Já não desfias contas de areia, nem vasculhas os grãos que não conseguiste segurar quando buscavas os teus momentos cintilantes. Hoje, desfias apenas garrafas de cerveja, umas atrás das outras, como se nelas fosses encontrar as respostas que não encontraste no mar.

Continuas sem ligar a quem passa na rua e a não falar com os amigos de outrora, mas por toda a ilha se ouvem histórias tuas. De vez em quando, até há quem diga que te voltou a ver no fundo do mar, mergulhado nos teus anseios mais profundos, perdido por entre corais e cores brilhantes.

Não sei se são apenas histórias de mergulhadores ou quase alucinações, mas todos juram que desfiavas grãos de areia, sentado na escuridão que encharca o fundo do mar.»
Lídia Bulcão, in Avenida Marginal de 18/12/2009

domingo, 20 de dezembro de 2009

A caminho do regresso

Hoje é o dia do regresso. Não ao blogosfera, mas à ilha. E enquanto não chega a hora desse desejado avião, vou ecoando os versos de José Martins Garcia, que soube como ninguém retratar as ânsias da alma e da saudade.

«Na ilha do regresso os rostos são
Espaços onde cresce o incenso e a faia,
Ali foi a latada, ali o balcão,
Ali foi o regresso. A cor desmaia.

Na ilha do regresso os dias são
Serapilheiras gastas; e os daninhos
Arbustos crescem no que foi portão
E abraçaram as portas dos vizinhos.

Na ilha do regresso ninguém mora,
Nem há quem habilmente a reconheça.
Cercadura de névoa a rememora,
Névoa dia a pós dia mais espessa.»

José Martins Garcia, in "no Crescer dos Dias"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Num País em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão

O Jornal da Noite que passou hoje na SIC é um bom retrato do estado do País, cuja força produtiva pouco vale ao pé dos insultos parlamentares ou outros casos de faca e alguidar. O que vemos na televisão parece ser o que temos: uns que insultam, outros que perseguem, alguns que chegam mesmo a matar, mas nenhum que queira mesmo resolver os problemas da crise e do desemprego. Parece-me que os antigos é que tinham razão: num País em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Personagens de carne e osso

Vejo os corpos como personagens,
que desbravo com o olhar
e compreendo com espanto.

Olho os homens como um livro,
cheio de entrelinhas
e rugas marcadas na alma.

Admiro os rostos do tempo,
cujas linhas recortadas me mostram
páginas de sofrimento.

Lídia Bulcão

A vida segundo Umberto Eco

«Quando interagimos com as coisas da nossa vida, tudo muda. Se nada mudar, somos idiotas.»

Umberto Eco, numa entrevista publicada no jornal I

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Círculo redondo

O mundo é um círculo redondo
que se completa na eterna concidência
das amizades que sobrevivem
às confusas geografias do tempo e do espaço.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O que diz isto da imprensa faialense?

Processo judicicial opõe jornalista a Assembleia Regional. Leia-se Rui Gonçalves, director do jornal Incentivo, é o primeiro jornalista processado pela Assembleia Regional dos Açores. Confesso que a notícia da Lusa não me surpreende. Não li o artigo em questão, nem quero aqui julgar o jornalista Rui Gonçalves (isso cabe ao Tribunal), mas por outros artigos que tenho lido nos jornais faialenses nos últimos meses (de profissionais do jornalismo, mas não só), era fácil perceber que mais tarde ou mais cedo os processos iam começar. No Faial há quem pense que a imprensa local é uma espécie de parlamento e que os seus jornalistas (ou colunistas) têm uma espécie de imunidade parlamentar. Os jornalistas são, e devem ser, livres de contar o que vêm e enquadrar devidamente os factos, respeitando a fronteira entre a reportagem e a opinião (muito ténue e facilmente ultrapassada). Sempre defendi que as opiniões dos jornalistas devem ser deixadas para as crónicas e colunas de opinião, mas mesmo aí há limites para o que se diz. E isto não se aplica só aos jornalistas, mas também a políticos e outros colunistas. Os artigos de opinião de qualquer jornal são espaços de liberdade, mas a liberdade individual acaba onde começa a liberdade dos outros. A imprensa não pode, nem deve ser, palco de insultos e difamações gratuitas. Não ajuda a esclarecer e só contribui para o desencanto dos cidadãos. Os leitores merecem mais respeito do que isso.

Para quando uma oficina de apoio técnico no Porto da Horta?

HORTA «pit stop» de grandes regatas internacionais 2009. A notícia do Faial Online não engana. Há cada vez mais veleiros internacionais que pedem ajudam ao Porto da Horta e atracam na sua marina para reparações ou outros pormenores de assistência técnica. Mas apesar desta procura crescente, continua a não haver qualquer oficina de apoio técnico na marina ou no porto. Pior, a nova bacia portuária que está a crescer a norte da baía da Horta também não a contempla. Depois de se ter deixado fugir para São Miguel um talento no sector como o do Emanuel, como aqui já referi, continuamos a ignorar uma actividade que pode ser uma mais valia para a cidade-mar. Para quando um espaço reservado à assistência técnica no Porto ou na marina da Horta?
Crédito da Foto: Faial Online

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Corram até à Figueira para ver a "Unânime Dixie Band"

Se eu pudesse, domingo que vem corria até à Figueira da Foz só para ouvir a "Unânime Dixie Band" representar os Açores na categoria Orquestra do Concurso Nacional de Música. Apesar de ser um dos agrupamentos da Sociedade Filarmónica Unânime Praiense, da ilha do Faial, a Dixie Band está longe de ser uma filarmónica, pese embora a escola e o percurso dos seus músicos - Rúben Silva no Trompete; Jaime Lopes no Trombone; Eduardino Freitas no Saxofone; Vítor Costa no Clarinete; Márcio Vargas no Piano; César Oliveira na Bateria; Mário Pereira na Tuba e Manuel Lemos no Banjo. O concurso em que os faialenses vão participar, organizado pelo INATEL, é para amadores, mas quem ouve os sons da sua "Unânime Dixie Band" não tem dúvidas que podem ir muito mais longe do que as festas de freguesia. Quem sabe se este concurso não vai ajudar a dar o salto? Se eu pudesse, corria até à Figueira da Foz para dar o meu apoio a estes músicos, que vivem a música por inteiro e não deixam que a ilha lhes tire a vontade de ir mais além. Não podendo... Bem, não podendo deixo esse apoio já aqui. Porque a qualidade da "Unânime Dixie Band" merece.

Nova exposição de Sandra Rocha

Foto: Sandra Rocha

«Love Stream» é a nova exposição da fotógrafa terceirense Sandra Rocha, membro da Kameraphoto. A inaugurar amanhã, pelas 18h00, no Centro de Arte de São João da Madeira e para ver até 6 de Dezembro.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O peso da escuridão

«Ainda a noite não tinha caído e já estava escuro como breu. Na rua, o silêncio era ocupado pelo barafustar das folhas secas e o estalar dos ramos caídos. Os pássaros havia muito que tinham já esvoaçado em direcção a solos mais quentes. Em redor, o anoitecer que poderia ser tranquilo era, contudo, pesado. Pesado e peganhoso, como uma humidade que não se consegue secar.
O ar estava tão denso que o termómetro poderia explodir a qualquer momento, mas não era só isso. A escuridão também parecia mais pesada, mais densa, mais disforme do que me habituara. Talvez porque as luzes da cidade pareciam estar demasiado longe e a lua perdera o seu reflexo no mar. Ali, no topo da serra e no meio do nada, os olhos eram as únicas lanternas disponíveis. E a alma uma espécie de baterias de carga única, com a capacidade para entrar em auto-gestão.
Saí do carro confiante. A noite tinha tudo para ser nossa. Não esperava, contudo, que um medo repentino se apoderasse de ti. Pior: não esperava que esse medo se transformasse em pânico e te roubasse a sanidade.
Naqueles dias, tudo o que procuravas era uma noite assim. Tranquila, silenciosa, isolada. Querias fugir do mundo que te perseguia, das inseguranças que carregavas, dos traumas que trazias por resolver. Fugias para não falar, para não enfrentar, para não teres de lidar contigo próprio.
Nos momentos mais intranquilos, ias até ao porto mais próximo e ficavas a ver os barcos, que pastavam no mar chão com a tranquilidade das coisas seguras. Por vezes, paravas na praia, tentando penetrar nos segredos da espuma, como se isso fosse descodificar todos os enigmas da tua alma. Perdias horas sem fim a olhar as vagas que se enrolavam e quebravam com sequências muito pouco lógicas e ainda menos seguras para quem se quedava à beira da areia, rondando o vai e vem da água revolta, gelada de perigo.
Quando te sentias reconfortado, voltavas a casa. Não mais tranquilo como se esperava, mas mais ansioso, como se tivesses gasto a energia que te consumia a alma. Voltavas para recarregar o corpo durante o sono e de manhã despertavas novamente envolto nos dilemas de sempre.
Na rua, quem se cruzava contigo habitualmente costumava deslumbrar-se com a tua facilidade expressiva, com a tua simpatia, com as tuas tiradas inesperadas, sem contudo desconfiar que por detrás do sorriso brilhante estava uma face cravada de tormentas.
Naquela noite, as tormentas estavam pesadas como nunca e tu desesperavas. Querias fugir de ti próprio e a solução imediata era subir ao ponto mais alto que tinhas por perto. Chamaste-me então, e eu não hesitei. Deixei os amigos a jantar, entrei no carro e fui ter contigo.
Mal entraste no carro, segui pela estrada que sabíamos ser a mais segura. Àquela hora, como já era de esperar, não havia vivalma na rua. Nem naquela, nem em nenhuma das outras ruas que percorremos. Naquele momento, eram apenas longos pedaços de alcatrão, sem luz, sem gente, sem vida. Assim os encontrámos e assim os deixámos, correndo em silêncio os quilómetros que encontrámos, seguindo na estrada como um barco fantasma que traça a sua rota de sempre.
Subimos, subimos, subimos, até a estrada acabar e ficámos então a sós com a imensidão da terra e da paisagem. A lua, que se queria cheia, era nova naquela noite. Suficientemente nova para roubar a luz que te aliviaria a alma naquele instante.
Quando saíste do carro, ficaste como que assombrado. Paraste, imóvel e aparentemente alheio, como se estivesses a ver para lá da escuridão. De repente, arrepiaste-te e quiseste ir embora. Eu insisti para ficarmos um pouco mais, certa de que te faria esquecer esse breve sinal de frio. Tonta cabeça a minha que não vi o que estava na minha frente!
Ao primeiro arrepio, seguiu-se a sombra de uma escuridão estranha, que se apoderou da paisagem e da noite, parecendo engolir a terra. Por momentos, ficaste parado no vazio, a tremelicar compulsivamente. Antes que eu te perguntasse o que tinhas, entraste no carro e durante uns segundos, talvez milésimos, remexeste no saco que trazias contigo desde manhã cedo. Foi então que saíste do carro, olhaste para mim e disparaste.»

Lídia Bulcão, in Avenida Marginal de 31/07/2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Pormenores das Selvagens nos Capelinhos

São apenas dez fotografias a preto e branco e outras vinte a cores, mas valem bem uma ida ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, onde a exposição “Ilhas Selvagens 30º 08’ N 15º 54’ W”, de Paulo Henrique Silva, vai estar patente durante este mês de Novembro. As imagens são resultado de uma incursão feita pelo fotógrafo às Selvagens, onde registou a fauna e flora daquele território, que é Património Natural da Macaronésia.
Crédito da foto: GACS

A propósito de cinema-documental

Numa altura em que os festivais de cinema dominam as atenções nacionais (Estoril Film Fest) e regionais (Faial Film Fest), vale a pena ler com atenção o artigo do Ípsilon a propósito do "O documentário que agitou o DOC". Uma discussão aberta sobre o que é ou deve ser um verdadeiro documentário, com alguns rasgos à mistura.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A marca das coisas que importam

À velocidade que as coisas acontecem, uns dias longe da Internet parecem já uma eternidade. Mas entre a velocidade virtual e a real, há todo um misto de sentimentos e emoções que não se perdem na voracidade do tempo. Foi assim que passei os últimos dias, a descobrir um outro lado da ilha Terceira. Por entre brumas dominadoras, folias importadas e tradições ancestrais, houve tempo para sentir a paisagem, a arquitectura e as pessoas. Estreitaram-se laços de sangue, retomaram-se amizades perdidas, apreciaram-se prazeres quase esquecidos. No final, o regresso fez-se com uma tranquila incerteza. Ou não fosse a inquietude a marca das coisas que importam.
Foto: LBulcão

Um brinde ao novo Mente Livre!

Nasceu o Mente Livre, um forum de discussão política, que é sobretudo um espaço para "pensar os Açores e o país sem amarras". Nascido do espírito interventivo do blogger Carlos Faria (do Geocrusoe), este Mente Livre pretende ser "uma página de lançamento de temas para debate político, aberto e descomprometido, na blogosfera açoriana". Um lugar a frequentar, sem dúvida.

Quem me dera ter uma Câmara assim


Eu, que tenho o manjericão a crescer na varanda e acabei de plantar novas doses de salsa, coentros e oregãos em pequenos vasos, fiquei hoje com inveja dos habitantes de Ponte de Lima, a quem a Câmara vai dar lotes de terreno para criação de hortas urbanas. Ao ler a notícia só pensei: também quero uma autarquia assim!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Avenida Marginal procura talentos açorianos na BD

Faltam só vinte dias para o fim do concurso de Banda Desenhada promovido pelo jornal faialense Avenida Marginal, mas como cada dia tem 24 horas, ainda há tempo para quem não ouviu falar no evento pôr mãos à obra, que é como quem diz, lápis no desenho. O concurso pretende dinamizar a cultura de BD no panorama nacional e divulgar autores açorianos, tendo por isso várias categorias, com prémios para autores nacionais e regionais. Para mais informções, consultar o site do concurso: http://concursobdavenidamarginal.blogspot.com/.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

«AMOR com regras»


Quando fui entrevistar o pediatra francês Aldo Naouri há uns meses, tinha lido o seu livro mais recente de fio a pavio e levava comigo algumas ideias feitas, nascidas da intensa pesquisa e dos muitos ecos que encontrara na imprensa nacional e internacional. Tinha alguma curiosidade em perceber quem era este pediatra, que uns diabolizavam e outros pareciam defender incondicionalmente. Encontrei um daqueles médicos que nos consegue deixar tranquilizados com palavras. A sua sabedoria é fruto de uma experiência longa e pensada ao pormenor, mas nem por isso imune questões e polémicas. O fruto dessa conversa foi discutido com vários especialistas portugueses e publicado na revista GINGKO de Outubro, sob o título "Educar também é mandar". Mas além deste artigo, que aborda os principais erros que os pais modernos tendem a cometer, a GINGKO online diponibiliza também a entrevista a Aldo Naouri que complementa o trabalho impresso e já disponível nas bancas.

Murmúrios que precisam ser gritados

«A organização Repórteres sem Fronteiras relegou Portugal para o 30º lugar do ranking dos países que mais respeitam a liberdade de imprensa. No ano passado, Portugal ocupava o 16º lugar, a par de outros países europeus. Esta é sempre uma má notícia para os profissionais da comunicação, para os cidadãos e, sobretudo, para o estado da democracia. A medida da liberdade de imprensa é, também, uma forma de avaliação da democracia. Não há democracia sem liberdade de expressão e liberdade de imprensa.»
Pedro Gomes, Cucos e Múrmúrios, in Açoriano Oriental

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Uma história de cidadania, ou a vitória da luz sobre as trevas


A inauguração da exposição de aguarelas do pintor António Cavaco Silva, segunda-feira no Hospital da Luz, em Lisboa, foi, para mim, um exemplo do que é e devia ser a nossa cidadania. Um pintor gravemente doente, que já não consegue pintar, reuniu as suas últimas telas numa exposição de despedida, expondo as suas fragilidades e debilidades aos olhares de todos sob o título "Caminhos de Luz".

Ao olhar para cada uma das suas aguarelas não pude deixar de ver o retrato de uma luta desigual entre a vida e a morte, mas vi também as pequenas vitórias da luz sobre as trevas. Saí de lá com o coração balançado. Pelo seu talento esquartejado, pela dor que os sorrisos não mostravam, pelas memórias ainda frescas que aqueles caminhos me despertaram.

Estremeci por dentro ao ver o António enfrentar de sorriso aberto os flashes e as televisões, deixando depois que as figuras públicas da família empurrassem a sua cadeira de rodas livremente. O seu olhar transmitia a esperança que não estamos habituados a ver em doentes assim e o seu sorriso emanava a convicção de quem sente que pode fazer alguma coisa pelos outros que, como ele, sofrem ou poderão vir a sofrer de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica).

Naquela inauguração estiveram presentes também nomes sonantes da política, da direita à esquerda, que marcaram presença por um mesmo objectivo: ajudar a divulgar uma doença rara e ainda desconhecida para a maioria como é a ELA, que apesar de incapacitante e fatal só este ano foi reconhecida como uma doença séria em Portugal.

Para algumas pessoas, a exposição de António Cavaco Silva poderá ser vista como um evento de circunstância, quiçá fruto dos laços familiares. Mas quem conhece bem de perto as amarguras da Esclerosa Lateral Amiotrófica sabe que aquele momento foi um grande passo rumo a um futuro com mais esperança para outros doentes e seus familiares.

Para mim, aquela inauguração foi também uma viagem pelas agonias da ELA, que levou a minha mãe em 2007, depois de uma batalha extenuante de 3 anos. Compreendo por isso muito bem o quanto terá custado a António Cavaco Silva mostrar ao mundo a doença, a família e os seus "Caminhos de Luz". Acho admirável que tenha tido a coragem de se expôr assim e, por isso mesmo, deixo aqui o meu contributo sincero para a sua causa, que aprendi da forma mais dura a fazer minha também.
Crédito da foto: Presidência da República

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Aguarelas de vida

O pintor António Cavaco Silva inaugura hoje uma exposição que vale a pena conhecer. Não porque a sua pintura seja melhor do que as outras, nem tão pouco porque o artista até é irmão do actual Presidente da República. Vale a pena, sim, porque as suas telas são fruto de uma força de vontade gigante, daquelas que podem ajudar a mover montanhas. Neste caso, a sua montanha tem sido a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), uma doença neurodegenerativa incurável, progressiva e fatal. Hoje, António Cavaco Silva já não consegue pintar. Mas enquanto combate a morte, ainda ainda é capaz de pensar que a sua pintura pode ajudar os outros que sofrem como ele, por isso expõe os seus "Caminhos de Luz". Um testemunho de vida que nos faz pensar. Para ver no piso - 1 do Hospital da Luz, em Lisboa, a partir das 17h00 de hoje.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Famoso mega-iate atracado na Horta


O Verão já chegou ao fim, mas o Porto da Horta continua a ser escalado pelos grandes do mundo náutico. O mega-iate Le Grand Bleu, que já pertenceu ao milionário russo Roman Abramovich, está atracado na cidade-mar desde terça-feira e aí deverá permanecer até sexta-feira. Para quem não conhece os pormenores deste luxuoso monstro da naútica, com uma tripulação de 50 pessoas, vale a pena espreitar aqui e aqui. Com uma tripulação de 50 pessoas, este mega-iate é um bom exemplo do que as escalas para abastecimento podem fazer pela economia local, seja no comércio tradicional, na agricultura ou na restauração. O que é preciso é querer tirar partido delas e não deixar que as mais valias sejam todas canalizadas apenas para o hiper...

Foto: Luís Correia/Ship Spotting in Faial

Uma bofetada de luva branca

O candidato do PSD à presidência da Câmara da Horta, Paulo Oliveira, mostrou esta semana como se pode assumir uma derrota com espírito construtivo. Assumindo os pontos fracos e valorizando as mais valias, deu uma bofetada de luva branca a quem o tentou denegrir. A sua equipa vai assumir a vereação de corpo e alma, ao contrário do que já se diz à boca pequena de alguns vereadores eleitos pela equipa socialista. Uma lição de democracia para muitos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Rumo às hidrotermais

Para esquecer o mundo louco e descobrir mais sobre o azul profundo, nada como viajar às fontes hidrotermais dos Açores com Teresa Firmino, a jornalista do Público que está a acompanhar uma missão do ROV Luso às fontes hidrotermais dos Açores. Acompanhe o blogue da viagem aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A frieza dos números


Confesso que hoje acordei com o coração dorido. Ainda me custa a aceditar que os faialenses tenham escolhido para presidente o homem que transformou a frente ribeirinha da Horta em parque de estacionamento. Mas a democracia é assim e o povo é quem sabe as linhas com que se cose. Na análise fria aos números de ontem, não deixa também de ser curioso que uma boa parte dos eleitores que há 4 anos votou em José Decq Mota para castigar o PS local, agora tenha castigado a CDU oferecendo um vereador e a maioria absoluta a João Castro. Pelo caminho, ficou uma excelente equipa do PSD, que teve o mérito de pôr a Câmara da Horta a mexer como há muito não se via e, ainda assim, acabou por sair derrotada. Agora, perante a verdade dos números restam-me três consolos:

1) João Castro não poderá fugir às escandalosas dívidas da sua própria gestão e terá de assumir o pedido de penhora de bens municipais feito pelo BANIF;
2) Renato Leal foi finalmente castigado pelos eleitores que desprezou e ameaçou, perdendo a Assembleia Municipal depois de ter já perdido a Assembleia da República;
3) Jorge Costa Pereira, que há anos vem defendendo os faialenses de tudo e de todos, será um justíssimo presidente da Assembleia Municipal.
Foto: LBulcão

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Faial Film Fest bate novo recorde


A próxima edição do Faial Film Fest vai ser mais um certame de grande nível. Depois de ter sido distinguido com o Prémio Onda Curta da RTP2 em Agosto passado, o Cine-clube da Horta não deixa os seus créditos por mãos alheias. As 44 curtas-metragens que vão estar em competição este ano são um novo recorde e uma boa amostra do que se pode fazer pela ilha sem estar à espera que a iniciativa parta do Estado.

Não há imunidade parlamentar que lhe valha...

Depois de uns dias longe da actualidade faialense, eis que o regresso à realidade é assustador. A última semana de campanha autárquica está a revelar os podres da política socialista local. Leio a notícia do Incentivo e até me custa a crer em tamanha barbaridade. Depois destas notícias, é fácil perceber como é que o PS se mantém na autarquia local há vinte anos, mesmo quando se mete pelos olhos dentros a ausência de obra própria. O medo é arma dos homens desesperados, mas a ver pelo despudor das palavras de Renato Leal, o candidato do PS à Assembleia Municipal parece julgar-se acima da lei. Pelo menos desta vez, não haverá imunidade parlamentar que lhe valha...

É o que se chamam desculpas de mau pagador...

Renato Leal não conseguiu ser eleito pelo círculo da emigração, mas a culpa é da greve dos correios no Brasil... Ele há cada uma!!!

Câmara da Horta no top dos piores pagadores


A Câmara Municipal da Horta é uma das oito autarquias dos Açores que constam da lista das 182 entidades públicas com prazos médios de pagamentos a fornecedores superiores a 90 dias. E como se não bastasse o estado de incumprimento, ainda é umas das poucas que agravou os respectivos prazos de pagamentos. Com uma autarquia assim, não há empreendorismo local que resista...


Foto: Faial Digital

terça-feira, 6 de outubro de 2009

ilha



«a ilha ao fundo funda saudade
que emerge do horizonte.
azulíneos os gestos do pincel
sedimental as águas
de míticas inquietações.

ninguém sabe que peixes
habitam no mar.
se há nevoeiro dom sebastião não vem.
o céu único infinito que passa
pela janela da casa de janville.

no peitoril os calos dos cotovelos do silêncio.»

Álamo Oliveira, in «antónio - porta-te como uma flor»


Foto: LBulcão

sábado, 26 de setembro de 2009

Um bom programa para hoje


As jornadas Europeias do Património estão aí e, com elas, a oportunidade de "conhecer para proteger" melhor o património faialense, pela mãos de uma iniciativa conjunta entre o blogue Horta XXI e a Câmara Municipal da Horta. Hoje o programa contempla um passeio em torno da baía de Porto Pim para explorar as potencialidades da zona.
Entre o património construído e o património natural, muito haverá para aprender e discutir, enquanto as perninhas levam os participantes desde o Castelo de São Sebastião à baía Entre Morros, passando entretanto pela rua do Castelo (antiga rua do Pasteleiro), travessa do Porto Pim, rua da Areinha Velha, praia de Porto Pim, Fábrica da Baleia e subindo ao Monte da Guia. O arranque está marcado pelas 14h30.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Evite outro cataclismo nos Açores!

O dia 27 de Setembro é um data simbólica para o Faial. Foi o dia em que irrompeu do mar o Vulcão dos Capelinhos, transformando para sempre a face geográfica e social da ilha. Não podemos deixar que no próximo dia 27 haja outro cataclismo nos Açores, desta vez nas urnas. Em nome de um futuro comum, temos todos de ser mais activos, mais interventivos, mais participativos, sob pena de estarmos a hipotecar o futuro da ilha, da região e até do País. No próximo domingo, é tempo de escolhermos, em vez de deixar que outros escolham por nós. É tempo, sobretudo, de termos Mais Açores!

Um atelier que vale a pena!


in RTP-Açores online

«Às urnas»

Rui Castro, in Rua Direita

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Má gestão socialista está à vista de toda a Europa

Última oportunidade para ver "Namíbia e Açores em contraste"

Encerra hoje a exposição "Namíbia e Açores em contraste", da pintora Isabel Eckleben, uma mostra de 24 telas patente ao público nas antigas instalações do Banco de Portugal na cidade da Horta. Em plena campanha eleitoral, sugiro uma pausa para espreitar este projecto multicultural, que retrata a viagem de uma artista plástica alemã que divide a sua vida entre o trabalho na Namíbia e a residência de seis meses por ano na freguesia dos Cedros, no Faial.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

«Memória dos Dabney no Faial em ruínas»


Muito se prometeu para a recuperação do património dos Dabney em Porto Pim, mas as ruínas continuam à vista. E como se não bastasse o seu património, parece que as suas memórias seguem pelo mesmo caminho. Apesar da recente pulicação dos Anais da família Dabney, são poucos os que conhecem a importância daquela família americana num dos momentos mais altos da economia açoriana, já para não falar no contexto político e sócio-cultural da época. A reportagem da Agência Lusa, publicada hoje no Açoriano Oriental Online, não é motivo de orgulho para os faialenses:

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma pausa para pensar a política

Mesmo em plena campanha eleitoral, pensar a política continua a ser uma necessidade urgente, por isso deixo aqui uma recomendação para a leitura do post do Máquina de Lavar sobre a renovação partidária, a que acrescento o meu próprio contributo:
1º A meu ver, a falta de interesse dos cidadãos e a indisponibilidade para trabalhar pelo bem comum são talvez os sintomas mais graves do estado da nossa política. Muitos pensam que estão a castigar os políticos com a abstenção, mas estão antes deixar-lhes carta branca para decidirem a seu bel prazer. Acredito que se todos nos empenhássemos numa cidadania mais activa, a política teria mais valor. Mas na política, como na vida, não basta exigir tudo a todos - é preciso também dar uma parte de nós. O primeiro grande passo a dar passa talvez pelo combate ao crescente egoísmo da nossa sociedade. O maior problema é que é muito mais fácil olhar para o nosso umbigo do que para o dos outros...
2º A limitação de mandatos é como a lei da paridade - não deviam ter de existir numa democracia saudável, mas às vezes são muito necessárias...
3º Acho que a renovação é necessária nos partidos, mas a experiência e a sabedoria da idade não podem ser menosprezadas. Nem nos partidos, nem na vida. Na nossa sociedade há uma tendência para menosprezar os mais velhos, como se fossem trapos, mas a idade e a experiência são óptimos conselheiros. O problema maior são os vícios (os do sistema e os outros), que muitas vezes se instalam por falta de gente nova que os combata com energia. Quando aos 27 anos assumi a co-direcção do Tribuna das Ilhas, tinha um director com 75 anos e foi uma das experiências profissionais mais enriquecedoras que tive. Ganhei eu, ganhou ele, ganhou a jovem equipa, ganhou o então recém-nascido jornal e ganhou sobretudo a ilha, que ficou enriquecida com o trabalho realizado em conjunto. Talvez se novos e velhos trabalhassem juntos mais vezes, tudo fosse bastante diferente. Na política e na vida.

Directamente para a urgência espanhola, em alta velocidade!

Os enfermeiros portugueses protestam à sua porta, mas Sócrates está preocupado é com os amigos espanhóis e o impacto do TGV. Depois de ter mandado fechar maternidades perto da fronteira, obrigando as portuguesas a dar à luz em Badajoz, agora ainda tem a lata de dizer que está em campanha para defender o Estado social, e em particular o Serviço Nacional de Saúde. Só se for o Serviço Nacional de Saúde espanhol! Por certo, quer fechar mais umas urgências e mandar os pacientes para as de Espanha. Em alta velocidade, claro!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Voz faialense continua a inspirar católicos

A irmã Maria Amélia Costa, da Congregação das Fransciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, tem sido uma inspiração para muitos crentes ao longo da sua vida. Quando partiu do Faial, levou a ilha no coraçao e Deus na alma. E é muito bom saber que a idade não apagou a sua voz cristalina, cujo mérito foi mais vez reconhecido, agora com a atribuição do Prémio Kerygma da Música Católica.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nem as eleições conseguiram salvar a Casa de Arriaga

Na cidade da Horta, as origens da República permanecem em ruínas, tristes e abandonadas como se fossem um monte de lixo que nem temos vergonha de esconder. Se depender do Governo Regional dos Açores, parece que é assim que vai ficar mais uns anos. César já habituou os faialenses a esperar mais de uma década por cada projecto aprovado. Foi assim com a Escola Secundária e com a Biblioteca Pública. Foi assim com as obras do Porto (que andam agora a todo o vapor, a ver se mostram resultados por alturas da ida às urnas). E está a ser assim também com o Estádio Municipal e com a requalificação de Porto Pim, para não falar de outras. Quando faltam escassos meses para o início das comemorações do centenário da República, as ruínas ganham raízes mais profundas. Parece que desta vez, nem as eleições à porta salvam a chamada Casa das Florinhas.
Ruínas da casa de Manuel de Arriaga (Foto: DN)

«A casa onde nasceu o primeiro presidente da República Portuguesa, na Horta, Açores, está em ruínas, apesar dos compromissos oficiais para a sua reconstrução, no quadro das comemorações do centenário do regime republicano, que se assinala em 2010.
Manuel José de Arriaga Brum da Silveira nasceu a 8 de Julho de 1840 na cidade da Horta, tendo ocupado o cargo de Presidente da República entre Agosto de 1911 e Maio de 1915. Numa altura em que faltam menos de seis meses para o início das comemorações oficiais do centenário da implantação da República, o imóvel onde nasceu Manuel de Arriaga, situado no centro da cidade, encontra-se num avançado estado de degradação. A reabilitação da 'Casa de Arriaga' é um dos objectivos definidos no site oficial das comemorações (www.centenariorepublica.pt), que atribui a responsabilidade da obra ao Governo Regional.
Com esse objectivo, a casa foi adquirida pelo executivo regional à Diocese de Angra, tendo em vista a sua reconstrução e adaptação para receber o espólio da família de Manuel de Arriaga e outro material relativo ao período imediatamente a seguir à instauração da República, que foi proclamada a 5 de Outubro de 1910. Apesar disso, o imóvel permanece em ruínas, o que levou a Associação de Antigos Alunos do Liceu da Horta a enviar uma carta aberta aos presidentes da Assembleia Legislativa dos Açores e da Câmara da Horta, apelando a que a obra arranque.»
in DN, 1 de Setembro de 2008

terça-feira, 25 de agosto de 2009

As prioridades de Sócrates em tempos de crise

Quando tantos portugueses perderam o emprego e fazem das tripas coração para conseguir pôr comida na mesa, o Governo de Sócrates oferece 5 mil euros a quem quiser comprar um carro eléctrico. Em tempos de crise, são as prioridades do primeiro-ministro que temos!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Chegou a vez de São Miguel ter voos desviados

Pelos vistos, os problemas no abastecimento de combustível não afectaram só o Faial. Agora, foi a vez de São Miguel ver os seus vôos deviados para a Terceira e Santa Maria por problemas na qualidade do combustível, segundo a notícia de hoje do Açoriano Oriental. O que as gasolineiras parecem não ter em conta é que descuidos como estes podem custar muito às ilhas em plena época alta para o turismo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

"Mais Açores" já está online


"Mais Açores" é o novo blogue da candidatura do PSD-Açores à Assembleia da República. Foi lançado oficialmente hoje de manhã, na cidade da Horta, e passa a estar online em: http://maisacores.blogspot.com/.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Casaca está perdido no geografia açoriana

Ao dizer que Ponta Delgada é, dos 19 concelhos dos Açores , “aquele que menor dinamismo tem”, Paulo Casaca parece estar perdido na geografia açoriana. Ou o candidato do PS não vive na mesma região que o resto dos açorianos, ou então tem uma concepção de dinamismo oposta à que vem nos dicionários de português...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Quando a ilha não agarra, as outras levam

«O empresário Emanuel Oliveira, de 34 anos, natural da cidade da Horta, desenvolveu a empresa Tecnináutica que já comercializou 170 embarcações de recreio e pesca durante os últimos meses», escreve o Açoriano Oriental de hoje. Ao ler estas palavras lembrei-me de imediato quão impressionada fiquei ao conhecer o trabalho do Emanuel Oliveira, em 2003. E fiquei impressionada não só pela sua ténica, mas sobretudo pela sua capacidade empreendedora e pela sua iniciativa, que o fizeram crescer num mercado pequeno e cheio de limitações. Mas porque as entidades locais nada fizeram para minimizar essas limitações, Emanuel deslocalizou a empresa para Ponta Delgada, onde lhe garantiram as condições que a Horta não lhe deu. Quem perdeu foi a cidade-mar, que agora clama pela sua ausência. Servirá de lição para que outros casos não se repitam no futuro? Ou a ilha vai continuar a deixar que as suas mais valias rumem a outros portos?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Carlos César quer-se acima da Lei

Estou convencida: Carlos César acredita mesmo que está acima de Lei. Só assim se explicam as suas declarações de ontem. Todos queremos um Estatuto dos Açores melhor e mais forte, mas o líder socialista parece ter esquecido um pormenor essencial: é que na política, como na vida, os meios não justificam os fins. Quer concordemos ou não com tudo o que ela contém, a Constituição é a lei fundamental do País que também somos. Podemos contestá-la, podemos tentar melhorá-la, mas não podemos ignorá-la e, muito menos, passar por cima dela como o PS-Açores insiste em fazer. A ver pelo desrespeito com que aceita as decisões da Justiça, parece-me que precisa mesmo é de lições de direito. (E, já agora, de sentido de Estado também.)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Nem os velejadores experientes escapam à bruma deprimente

Que o mar não é para qualquer um, já muitos ouviram dizer. Mas até os velejadores experientes encontram surpresas de vez em quando. Por estes dias, os tripulantes da Regata Vannes/Horta/Vannes têm estado a braços com o lado mau do caminho encantado para os Açores: “mar caótico, navegação difícil, condições duras, visibilidade nula e bruma deprimente”. Podemos estar no Verão, mas não é por isso que deixamos de ser "ilhas de bruma"...

Faialenses dominam Atlantis Cup


Os faialenses dominaram o podium da última edição da Atlantis Cup, mostrando que a cidade-mar não se limita só a acolher velejadores de outras paragens. A meta foi cortada em primeiro lugar pelo do Xcape, de Luís Quintino (Faial), logo seguido pelo Ilha da Ventura, de Carlos Garcia (Faial), e pelo Air Mail, de Luís Decq Mota (Faial). Já na classe ORC3, a vitória coube ao FunTastic, de José Correia (Prainha), enquanto na Classe Open o topo da tabela foi conquistado pelo veleiro Soraya, de Frederico Rodrigues (Faial). No canal, os veleiros compram-se para andar no mar. Depressa e bem, como se quer.
Foto: Tatá Regala

Temos homem do mar!


Pedro Cipriano mostrou a sua têmpera no Regional de Canoagem, que terminou este fim-de-semana na Horta. Não só foi o melhor faialense em prova, como conquistou um brilhante primeiro lugar em K1 infantis. É caso para dizer: temos homem do mar!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O mar por inteiro na Semana do Mar 2009


Não sei se a Semana do Mar já ganhou a maturidade que a organização proclama, mas é bom ver que aos 34 anos a festa não tem medo de regressar às suas origens náuticas, nem tão pouco de homenagear a génese da sua cidade. A grande envergadura internacional dos eventos naúticos agendados para este ano comprova que a cidade-mar não é, nem pode ser, apenas um epípeto para turista ver. Durante a próxima semana, os faialenses vão mostrar como se pode viver por inteiro esse azul, que é um pedaço inteiro do melhor que as nossas ilhas têm para oferecer.

Imagem: Cartaz da Semana do Mar

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Marinas têm de ser mais do que portos seguros


Com a intensidade própria da ilha azul, a cidade-mar continuam a mostrar a todos os açorianos que os portos e as marinas dos Açores não são, nem podem ser, apenas meros pontos de chegadas e partidas. Mais do que cais de abrigo para aventureiros ou garagem para os velejadores locais, os portos e as marinas açorianos são verdadeiros focos de vida. Que podem e devem ser transformados em pontos de amaragem do desenvolvimento económico e social local, sustentado na paisagem, nas gentes e na arte de bem acolher. Só assim o investimento compensa e a verdadeira magia pode então acontecer.
Fotos: © Stéphanie GASPARI

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A dimensão mágica de uma baía internacional


Por estes dias, o mar da ilha azul tem ganho uma dimensão mágica, com as entradas e saídas de regatas internacionais como Les Sables/Horta/Les Sables, Route des Hortensias e Vannes/Horta/Vannes. A velocidade estonteante com que os veleiros internacionais amarram e desamarram na Horta são a melhor prova de que a sua baía já deixou de ser apenas um pequeno porto seguro no meio do Atlântico e passou a ser uma rota obrigatória para quem se movimenta no mundo naútico.
Fotos: © Stéphanie GASPARI

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Os números que não se podem esconder

No final de Junho, Teixeira dos Santos punha-se em bicos de pés para anunciar o fim da crise em Portugal. Mas eis que agora outros indicadores trazem para cima da mesa o que o Governo tenta esconder debaixo da toalha. O número de desempregados cresceu 28 por cento em Junho e o mesmo ministro vem agora dizer que são uma consequência normal da crise. A mesma que em Junho passado já estaria a aterminar em Portugal. E ainda há quem acredite nele...

Uma lição exemplar vinda do Nordeste

A Câmara Municipal do Nordeste deu esta semana uma lição exemplar de como fazer o investimento certo numa autarquia. Com o lançamento da primeira pedra de uma central de vermicompostagem (compostagem com minhocas) no concelho, a autarquia mostra que para servir bem o essencial é ter vontade de marcar a diferença. Este empreendimento, financiado a 85% pela UE, coloca o Nordeste como pioneiro na região no que toca ao tratamento dos resíduos urbanos, um dos principais problemas dos municípios açorianos. Quem ganha são os nordestinos, cujos solos serão menos agredidos e os impostos poupados mais bem aplicados. E como se não bastasse a certeza de estar a servir bem os seus munícipes, o Nordeste ainda vai ocupar um lugar de destaque na inovação internacional, já que é o terceiro a nível mundial - depois de Famalicão e de Beja - a avançar com um projecto desta dimensão. A falta de dinheiro não pode ser desculpa para a falta de inovação nas ilhas, sobretudo quando há fundos comunitários à espera de serem bem aproveitados.
Crédito da foto: Quercus

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A coragem de escolher outro percurso

A decisão não foi fácil. Porque não são fáceis as escolhas que nos trocam os carris da vida. Mas os mapas têm caminhos que os traços gordos nem sempre nos deixam ver. Às vezes, é preciso parar e olhar para além do emaranhado de linhas amarelas e vermelhas que nos levam ao percurso de sempre. Às vezes, é preciso ter coragem de tomar um caminho alternativo e de dar a nós próprios a oportunidade de descobrir o que realmente nos importa. E a mim o que me importam são estas ilhas. A que trago dentro de mim, a que vejo em frente, a que se estica canal fora, a que espreita lá ao fundo, a que se esconde por trás do triângulo, a que se ergue a ocidente, a que se abriga a oriente, a que se espraia ao sol e a que se expõe ao mar. São elas que movem os meus desejos, são elas que ordenam as minhas vontades, são elas que ditam o meu querer. E por elas enfrento qualquer mar revolto e até os piratas mais audazes.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pormenores de "Trasfega"

«Já que te arvoraste em empreiteiro da obra, reinventaste-te (palavra fácil), subiste aos andaimes da vontade, arregaçaste as mangas e, em jeito de desgrenhado declamador lírico, gritaste, "Acabaram-se os vómitos, as vertigens, as palpitações, os suores frios, os medos miúdos, os remorsos, as culpas, o perigo iminente do cancro..." Neste ponto, empalideces, trocas o passo aos pensamentos, quase que cais dos andaimes aonde te guindaste com um suculento et cetera e tal... "Agora", meditas, "é preciso cunhar de ouro a minha decisão inexorável".
in «Trasfega», de Cristóvão de Aguiar

Democracia em compromidos

A propósito das culpas que os políticos teimam em jogar para cima da comunicação social quando estão a perder o pé, João Miguel Tavares foi mais longe e teve uma tirada muito pertinente. "É uma pena que não se vendam comprimidos de democracia nas farmácias", escreve ele na sua crónica desta semana, no Diário de Notícias. E a ideia nem é descabida de todo. Alguém dúvida que teriam muita saída nas farmácias açorianas?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Uma presidência "sem fios"

Uma visita ao site da recandidatura de João Castro à Presidência da Câmara da Horta mostra a profundidade do trabalho que tem sido feito na cidade nos últimos anos: o maior feito destacado pela presidência socialista é a instalação da rede de wireless gratuita em todo o concelho. Mais palavras para quê?

SATA oferece 10 kg de bagagem aos estudantes

Finalmente uma boa notícia para os estudantes açorianos, que não têm outro remédio senão andar com a casa às costas. Pena que seja só no mês de Setembro.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Um País dormente

Fico verde quando ouço alguém dizer que não vai votar porque não tem "pachorra". A lenga-lenga que se segue muda invariavelmente entre o "votar para quê"e "não vou fazer diferença". Mas pior fiquei quando ouvi uns iluminados - surpreendidos com a abstenção galopante - defenderem o voto obrigatório, em vez de tentarem perceber o que está a fazer apodrecer a raiz da nossa democracia. E quando pensava que já nada podia piorar, eis que surgem múltiplas notícias sobre os erros e as repetições do sistema eleitoral nacional. Um País que tem um simplex fabuloso mas não consegue ter uma Base de Dados de Recenceamento Eleitoral decente - em que não se repitam 614 vezes o registo de um mesmo eleitor - só pode ser um País dormente.

A distância virtual é um passo curto

Os ecos da recente polémica do Twitter na ALRA só provam que os deputados açorianos - por ingenuidade ou desconhecimento - ainda não perceberam bem o impacto que a Internet e as redes sociais podem ter no debate político. O hemiciclo há muito tempo que deixou de ser um espaço público fechado. A Internet, hoje, pode ter tanta ou mais força do que a televisão. E do impulsionar ao destruir, vai um passo muito curto. Era bom que os membros de todas as bancadas se lembrassem disso!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Equação de sentimentos e destruição

Passaram 11 anos, mas o dia 9 de Julho nunca mais será um dia como outro qualquer no calendário dos faialenses. Os 20 segundos que estremeceram o despertar das gentes naquela madrugada de 1998 mudaram o rumo das coisas que se queriam eternas. Não falo de números, porque as vidas roubadas e as casas destruídas não se podem contabilizar numa simples equação de euros ou, pior ainda, numa estatística sem sentimentos.
Falo antes de vidas apagadas e memórias roubadas.
Falo de casas destruídas e de lugares ceifados.

De ruas esventradas e almas destroçadas.

Falo de famílias devaçadas e comunidades estranguladas.

.
De fachadas rasgadas e gerações desfalcadas.


De laços esfaqueados e sentidos testados.


Mas falo também de vontades tisnadas e labutas diárias,
de esforços marcados e forças reerguidas.

Falo sobretudo de gentes renascidas na dor das ruínas
e amparadas nos desígnios da fé, que ainda hoje lutam
para que estas imagens se apaguem durante a noite.

É por eles, e por todos nós, que todos os outros não devem jamais esquecê-las!

Fotos: LBulcão

terça-feira, 7 de julho de 2009

Cidades criativas precisam-se!


O conceito de "Cidades Criativas" ainda está a dar os primeiros passos em Portugal, um país que os especialistas nacionais e internacionais, reunidos hoje em Lisboa, reconhecem ser ainda "demasiado sério e quadrado". Mas dentro do conservadorismo nacional há boas práticas e bons exemplos, com os de Guimarães, Óbidos, Paredes e Cascais, concelhos que souberam fazer da criatividade um factor de competitividade e desenvolvimento económico. O sucesso destas quatro cidades foi, aliás, o ponto de partida para a conferência que trouxe a Lisboa especialistas nacionais e internacionais, agora motivados para criar uma Rede Internacional de Cidades Criativas. Em ano de eleições autárquicas, era bom que os nossos autarcas se inspirassem nestes bons exemplos. Talvez assim, também nos Açores - e em particular no Faial - seja possível ter bons exemplos dentro de uma década. É tempo de fazer da utopia uma realidade bem mais divertida!

Há um mês foi assim no Canal


Esta imagem bem podia ser eterna, mas o calendário não mente. Faz hoje um mês que o canal de Nemésio deu as boas-vindas a Genuíno Madruga, naquele que foi o seu segundo regresso ao porto de todos os aventureiros. Para celebrar a muito esperada chegada a casa, o site oficial do pescador-velejador publicou também outras fotos. Para ver aqui.
Crédito da foto: João Ávila

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Telabags cria com espírito Açores

Acaba de chegar ao mercado uma nova colecção especial da Telabags inspirada nos Açores. Criada em colaboração com a Associação Regional de Turismo (ART), esta colecção aproveita catálogos e brochuras usadas para divulgar a ilha Terceira, transformando-as em modernas malas, bolsas e porta-moedas ecológicos. A já famosa marca portuguesa - catapultada a nível internacional graças à sua colecção Harrods, feita a partir de telas de publicidade dos famosos armazéns londrinos - continua a mostrar que é possível inovar com criatividade.
Crédito da foto: Telabags

Pequenas mudanças que trazem grande poupança às autarquias

Em ano de eleições, é tempo das autarquias locais perceberem que não basta mostrar como podem gastar melhor o dinheiro dos contribuintes. É preciso também mostrar como podem poupá-lo de forma eficiente. Os municípios do Barreiro, Moita e Alcochete iniciaram ontem um projecto piloto de troca da iluminação pública por outra mais económica, mostrando que pequenas mudanças podem fazer grandes diferenças. Um exemplo que as autarquias açorianas deviam ter em conta.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Falta de jeito para a Educação Física não é desculpa

Um post do blogue Máquina de Lavar sobre um absurdo do sistema educativo desencadeou um interessante debate, que julgo merecer também aqui a devida atenção. O absurdo em questão diz respeito à contagem da nota de Educação Física para efeitos de acesso ao Ensino Superior, contra a qual o autor do post manifesta a sua indignação - excessiva no meu entender.
É já do conhecimento geral, ou devia ser, que a prática desportiva é tão boa para a saúde e para as relações sociais como para o espírito competitivo e a destreza mental, entre outras capacidades que são amplamente desenvolvidas pela prática de desporto escolar e de competição (não estamos aqui a falar de idas aos ginásio ou jogging matinal).
Em tempos idos, um selecionador nacional de basquetebol disse num estágio açoriano uma coisa que guardei para a vida: qualquer bom desportista tem obrigação de ser um bom aluno, porque tem as competências básicas para isso. Ele não falava do talento inato, mas da inteligência que é necessária para aplicar da melhor forma esse talento na prática desportiva. Dizia ele que a capacidade de aplicar essa inteligência na prática desportiva podia ser aplicada em qualquer outra actividade, desde que o atleta se esforçasse para isso.
Da mesma forma, qualquer aluno inteligente pode ser um bom desportista desde que se aplique minimamente no desenvolvimento das suas aptidões. O talento sem treino não faz campeões. Da mesma forma que a inteligência sem estudo não faz alunos brilhantes. O problema é que muitos nem se dão ao trabalho de se esforçar, como provam muitos marrões enferrujados e outros tantos campeões internacionais de futebol afamados pela sua cultura de ignorantes.
A desculpa da falta de jeito que os alunos marrões usam para não se esforçarem minimamente na realização dos exercícios físicos obrigatórios é a mesma que outros usam para a matemática. Mas isso não impede, nem deve impedir, a contabilidade da sua avaliação final. Se a matemática requer estudo, a educação física requer treino - dentro e fora da escola.
Não há dúvida de que os alunos com boas notas a Educação Física estarão melhor preparados para lidar com as dificuldades futuras e os stresses da competição académica, independentemente da área que seguem e das notas nas outras disciplinas. E isso não é, nem pode ser, mau para o acesso ao Ensino Superior.

Não pode haver tréguas para o combate à droga nas escolas

A PSP da Horta desmantelou este fim-de-semana uma rede de tráfico no Faial, cujo negócio incluía a venda de droga nas proximidades de um estabelecimento escolar da cidade da Horta. Segundo uma notícia avançada pela agência Lusa, a operação foi concluída no fim-de-semana com a detenção de três indivíduos - dois faialenses e um cabo-verdiano - acusados de tráfico de droga e a apreensão de mais de 1600 doses de heroína, cocaína e haxixe. Perante a notícia, os pais faialenses ficaram com certeza mais descansados, já que o drama da droga na escola secundária local tem vindo a agravar-se de ano para ano. Mas não se iludam os polícias nem os educadores: depressa aparecerão outros para tomar o lugar deixado vago. Os adolescentes, sempre ávidos de aventuras e consumos impróprios, são um mercado muito apetecível. É preciso, pois, manter a vigilância reforçada. Neste combate não há lugar para tréguas.

domingo, 28 de junho de 2009

Os génios também se enganam

As imprecisões de Mau Tempo do Canal e os comentários pertinentes dos leitores mais atentos deram aso a uma maravilhosa crónica de Onésimo Teotónio de Almeida. Para ler na revista Ler.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Um sonho faialense no Montijo



O novo centro Centro Médido e de Fisioterapia do Montijo tem uma costela faialense. Passando a referência óbvia à minha mana mais nova, que com apenas 24 anos se tornou empresária, não posso deixar de ver neste moderno espaço de saúde e bem-estar uma prova de que os bons açorianos vão deixando obra feita onde quer que andem. Quem quiser saber mais, clique no site oficial do espaço.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Do blog para o papel - Daqui a pouco em directo

«O blog vai iluminando o caminho do seu autor, é essa a sua virtude.»


O Caderno de Saramago já deixou de ser só um espaço virtual. Hoje, pelas 18h30, será apresentada em Lisboa a versão livro dos primeiros seis meses de escrita bloguística. O lançamento será marcado por uma conversa entre o Nobel e os jornalistas Isabel Coutinho e José Mário Silva, que será transmitida online para toda a blogosfera. E porque o espírito virtual parece ter encarnado definitivamente em Saramago, o escritor está disponível para responder às perguntas dos leitores da blogosfera. Basta enviá-las para o endereço pergunteasaramago@sapo.pt.

O Caderno de Saramago

«O Caderno de Saramago», o livro do blogue from Fundação Jose Saramago on Vimeo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Que São João olhe sempre pelos foliões da Caldeira!


Em tempos idos, hoje acender-se-iam as fogueiras para iluminar a noite de São João na ilha. Saltava-se à fogueira com amigos e vizinhos, com a audácia da juventude e a força que as pernas mais idosas ainda permitiam. Quando o lume passava a brasa, era tempo de assar linguiças e morcelas, entre outros petiscos tradicionais, que se acompanhavam com angelica e aguardente. No dia seguinte, feriado do munícipio, os faialenses seguiam em romarias até à Caldeira, para homenagear o santo padroeiro da ilha. Entretanto, mudaram-se os tempos e as vontades das gentes. A tradição já não é o que era, mas nem todos os costumes se apagaram. Com tascas e petiscos, chamarritas e filarmónicas, há quem ainda rume até à Ermida e se esforce para que a noite da ilha pertença a São João da Caldeira. Que o santo continue a olhar por eles!

Palavras de pessoas sobre Pessoa



“Tenho a alma num estado de rapidez ideativa tão intenso
que preciso fazer da minha atenção um caderno de apontamentos,
e, ainda assim, tantas são as folhas que tenho a encher,
que algumas se perdem (…).”

Fernando Pessoa, in Diário Popular, 28-XI-1957


Para quem estiver por Lisboa, hoje, a partir das 18h30, na Casa Fernando Pessoa, terá lugar a sessão de apresentação de "Fernando Pessoa: O Guardador de Papéis". Um livro fundamental para quem saber mais sobre o homem que ainda hoje nos confunde. São palavras de escritas a propósito das celebrações dos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa (1888-2008) e inclui alguns textos inéditos do poeta. O baú pessoano continua inesgotável.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A má condução nas ilhas e as vítimas que ela faz


Parece que os portugueses estão a aprender qualquer coisinha no que toca ao civismo na estrada, pelo menos a ver pela notícia do Público online. Mas enquanto os números do País dizem que uma boa parte aprendeu, a realidade das ilhas mostra-nos que se continua a conduzir muito mal nos Açores. E nem preciso de estatísticas para recordar aqui o que todos vemos.
O mal é comum a todas as ilhas, ainda que com maior ou menor visibilidade: estaciona-se em segunda fila nas cidades, apesar de se saber que isso vai congestionar o trânsito; arruma-se o carro à porta de casa, mesmo que isso signifique estrangular completamente a via pública; pára-se no meio de qualquer estrada para cumprimentar um conhecido e pôr a conversa em dia; acelera-se em ruas estreitas e curvas apertadas, como se não pudesse aparecer mais ninguém na rua; conduz-se depois de ter bebido uns copos de vinho ou umas boas cervejinhas; faz-se manobras perigosas, sem cuidado algum ou respeito por quem vem atrás. Às vezes, tudo corre bem para todos. Às vezes, corre mal, muito mal.
Na semana passada, as coisas correram muito mal no Faial, onde um acidente roubou mais uma vida. Não conheço ao pormenor as circunstâncias do desastre, mas sei o essencial: um jovem de 25 perdeu a vida estupidamente. Não o conhecia, mas isso não importa. Sei bem o que significa a sua morte, porque já perdi vários amigos nas estradas do canal em acidentes tão parvos como este. Serão precisas quantas mais vidas para abrir os olhos a quem conduz?
Crédito da foto: Acidentes no Pico