sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

A diferença contada em 500 semanas

"500. Não há como um número sonante para nos dar conta do tempo. Do que temos pela frente, do que sempre nos parece faltar, do que gostávamos de vir a ter, mas sobretudo do que já passou. 500. Não minutos, horas ou dias, mas semanas. 500 semanas de Tribunas das Ilhas.
 
A mim, que dei a cara pelo nascimento deste projecto como sua primeira Directora-adjunta, quase parece que foi ontem, mas o número que vem na capa da edição deste jornal não engana. Passaram-se 500 semanas desde que o Tribuna das Ilhas começou a ser destribuído pelas ruas do Faial, qual uva fresca acaba de chegar, não de barco mas sim de avião, porque em Abril de 2002 não era possível (por mais incrível que possa parecer) imprimir um jornal a cores nesta ilha.
 
Hoje, olho para este número redondo e sei que esta edição nº500 representa muito mais do que o seu simples valor numérico. Não são apenas 500 jornais, 500 primeiras capas, 500 impressões, 500 fechos de edição, 500 conjuntos de notícias mais ou menos agradáveis. Mais do que a metade de mil, do que o meio caminho para qualquer coisa, este número 500 representa a vontade de ir mais além e ultrapassar o impossível que a realidade vai trazendo. Representa, sobretudo, o verdadeiro espírito da missão jornalística que é levar a cada leitor o sumo da realidade insular que nos acompanha semana a semana.
 
Lembro-me, como se fosse hoje, da loucura que foram as semanas que antecederam o nascimento deste jornal, que ajudei a construir de raiz, criando o seu projecto editorial e dando forma a um projecto gráfico. E jamais esquecerei a vontade inabalável de todos quantos acreditaram nele – e foram muitos – e dos muitos outros que nos avisaram que não valia a pena o esforço, que o jornal não duraria mais de um mês, que ninguém ia ler, etc, etc, etc...
 
Passadas estas 500 edições, sei que fez sentido acreditar e que valeu a pena cada dia dos quase dois anos que passei a correr nesta redacção em 2002 e 2003. Tal como valeu a pena cada noite sem dormir. Não é por acaso que sinto o Tribuna das Ilhas como o meu primeiro filho, pois para tomar conta das suas primeiras edições cheguei a passar 36 horas consecutivas sem sair da redacção, e sem pregar olho. Um esforço só possível graças à atenção dos muitos amigos que sempre apareciam na redacção para me trazer o almoço, o jantar ou até mesmo o pequeno-almoço...
 
Hoje, ao olhar para este número 500, acho que chegou a altura de fazer a minha homenagem pública ao homem que tornou tudo isto possível e com quem aprendi mais do poderão imaginar. Não de jornalismo profissional, mas de vida e humanidade. Porque se naquela altura eu trouxe para o Tribuna a experiência que tinha adquirido no jornalismo nacional, ele trouxe a sabedoria das suas muitas décadas de vida, que soube como ninguém conciliar com a juventude de uma redacção em efervescência. Falo, como muitos já terão percebido, do primeiro Director deste jornal, Mário Frayão, que do alto da sua energia contagiante fez vibrar este Tribuna das Ilhas. Bem haja meu querido amigo por tudo quando nos ensinou!

Hoje, passadas estas 500 edições do Tribuna das Ilhas, mais de 8 anos depois de eu ter deixado de co-dirigir o jornal e seis meses após ter suspendido a minha carteira profissional de jornalista para me dedicar de corpo e alma à nobre tarefa de representar os Açores na Assembleia da República como deputada da nação, sei que faria tudo de novo. Porque o Tribuna das Ilhas fez e ainda continua a fazer diferença na realidade faialense. Bem hajam também todos quantos por ele ainda hoje correm na redacção ou perdem horas de sono!"

Lídia Bulcão, a propósito do Tribuna das Ilhas n.500 (13/01/2012)
 
 
 

quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Um Natal de palavras sentidas

Neste mundo cada vez mais obcecado pelo som e pela imagem, esquecemos por vezes a importância das palavras. Perdidos na voragem dos dias festivos que nos desassossegam a carteira e o estômago, deixamos que as imagens dominem os nossos sentidos natalícios e damos cada vez menos espaço às letras. Mas para alguém como eu, que sempre fez das palavras um modo de vida, é impossível viver esta quadra plenamente sem vos deixar aqui umas linhas sentidas. Não que elas tenham mais valor do que os muitos postais de Natal que nestes dias sempre vão chegando, ou do que as imagens coloridas que nos aquecem o coração, mas simplesmente porque é nelas que consigo verter o que esta alma insular vai consumindo e o espírito irrequieto digerindo. E se por estes dias só faz sentido partilhar o calor dos abraços e o sorriso dos corações com aqueles a quem queremos bem, também não é menos verdade que nos apetece abraçar todos os pedaços de carinho, amizade, força, incentivo e solidariedade que ao longo do ano vão sendo plantados dentro de nós, ajudando a aperfeiçoar a rudeza do nosso próprio basalto e a germinar as sementes de que precisamos para conquistar um futuro mais risonho. É, por isso, com palavras que aqui vos deixo um imenso abraço e um só desejo:


Que tenham um Santo Natal,

repleto de abraços sentidos e inesquecíveis!

quinta-feira, 4 de Agosto de 2011

Em período de pousio

Nas últimas semanas, "A ilha dentro de mim" tem estado em período de pousio forçado. Infelizmente, o tempo não se multiplica, por mais que deixemos que os ponteiros do relógio se atrasem e tentemos saltar alguns capítulos do dia. Mas mesmo por entre o corre-corre da nova agenda e a organização de toda uma vida, há linhas que anseiam por ser escritas e outras que já pedem mesmo para ser publicadas. Dizem que a inspiração anda por aí e que não tarda nada irá irromper novamente por esta ilha adentro. Oficialmente, ainda não sei de nada, mas, pelo sim pelo não, também vou ficar à espera... Até daqui a pouco!

segunda-feira, 27 de Junho de 2011

Quatro anos na rota desta ilha

De mansinho, e quase sem dar por eles, celebraram-se quatro anos nesta ilha. Tão de mansinho, que precisei de uma semana para dar pelo aniversário. Quis o acaso que 19 de Junho fosse o dia em que dei à luz este espaço, feito de escrita e para a escrita, ainda que moldado pelas raízes da minha inegável açorianidade. E se a escrita, como instrumento de auto-conhecimento e lucidez, é talvez o activo maior deste blogue, a açorianidade, essa, é a sua essência mais profunda. Hoje, como há quatro anos, continuo a acreditar que "a ilha é tudo menos um lugar estanque". Mas porque hoje, muito mais do que há quatro anos, sei que o "devir" é uma urgência da vida, renovo aqui os votos de que "a minha ilha" seja sempre "o lugar onde consigo ver para além do horizonte".

domingo, 26 de Junho de 2011

Depois de Saramago


«A pior cegueira é a mental,
que faz com que não reconheçamos o que temos à frente.»
                                              in Outros Cadernos de José Saramago


No emaranhado desta semana, muita coisa ficou por dizer, e mais ainda por escrever. Mas por mais que o tempo nos fuja entre os dedos e a actualidade ultrapasse a velocidade dos nossos pensamentos, há emoções que não se perdem na voragem dos telejornais e efemérides a que se volta diariamente. A 18 de Junho completou-se um ano sobre a morte de José Saramago. Depois dele, nada ficou igual na literatura. Mas hoje, como ontem, continuamos a ouvir as suas palavras e a sentir os seus recados presentes. Como se nunca tivesse partido.

Foto retirada de: http://becre-esct.blogspot.com/2010/06/morreu-jose-saramago-nobel-da.html

sábado, 18 de Junho de 2011

Um novo "Mundo Açoriano"

Ando por aí um novo Mundo Açoriano à espera de ser descoberto. Tropecei nele quase por acaso, mas prometo que vai passar a fazer parte das minhas rotas obrigatórias. Porque se «o território não é o mapa», como dizia o poeta Emanuel Jorge Botelho, e se «a "açorianidade" não tem princípio nem fim», como escreveu o director do projecto Eduardo Jorge Brum, também não é menos verdade que as nossas raízes não morrem nunca, ainda que lhes falte a quantidade certa de água salgada para matar a sede. Definitivamente, «somos seres estranhos. Feitos de almas nómadas e desejos andarilhos, mas com raízes profundas e amarras eternas».

quinta-feira, 16 de Junho de 2011

Não há força, nem vento, para contrariar a maré

@ailhadentrodemim




















Se esta Lua falasse, 
diria o que mil palavras não dizem
e mil emoções não desvendam.

Se esta Lua falasse, 
diria o que nunca conseguirei escrever, 
nem o engenho do fotógrafo captar.

Se esta Lua falasse, 
diria o que a memória esculpiu na pedra
e o barulho do mar gravou na mente.

Se esta Lua falasse, ficaria muda. 
Porque é imenso o peso do que teria para dizer,
e não há força, nem vento, para contrariar a maré.

Lídia Bulcão

segunda-feira, 13 de Junho de 2011

Porque os Açores serão sempre "a nossa certeza"

(Foto via Fernando Pimentel)

Porque hoje se celebra o Dia dos Açores, devíamos todos erguer esta bandeira bem alto e gritar a nossa açorianidade aos quatro cantos do mundo. Porque hoje se celebra a nossa Autonomia, é também o dia de analisarmos o caminho que temos sido capazes de percorrer e de reconhecermos a necessidade de afinar o rumo, para que possamos enfrentar de pé as tempestades que espreitam no horizonte e alcançar juntos um futuro seguro. E porque hoje é também o dia em que a palavra Açores ecoa mais fundo no coração de todos os açorianos, escolho deixar aqui aqui o Hino da região, cujos versos intemporais de Natália Correia guardam as certezas que nenhum ilhéu devia jamais esquecer. Porque os Açores são, e serão sempre, "a nossa certeza".

HINO DOS AÇORES

 «Deram frutos a fé e a firmeza
no esplendor de um cântico novo:
os Açores são a nossa certeza
de traçar a glória de um povo.

Para a frente! Em comunhão,
pela nossa autonomia.
Liberdade, justiça e razão
estão acesas no alto clarão
da bandeira que nos guia.

Para a frente! Lutar, batalhar
pelo passado imortal.
No futuro a luz semear,
de um povo triunfal.

De um destino com brio alcançado
colheremos mais frutos e flores;
porque é esse o sentido sagrado
das estrelas que coroam os Açores.

Para a frente, Açorianos!
Pela paz à terra unida.
Largos voos, com ardor, firmamos,
para que mais floresçam os ramos
da vitória merecida.

Para a frente! Lutar, batalhar
pelo passado imortal.
No futuro a luz semear,
de um povo triunfal.»

Letra: Natália Correia

sexta-feira, 27 de Maio de 2011

Baía da Horta reconhecida como uma das mais belas do mundo

Um fim de tarde no paraíso (Foto:LBulcão)

A beleza da baía da Horta acaba de ser reconhecida internacionalmente, com a entrada no Clube das Mais Belas Baías do Mundo, ainda que a título provisório. A decisão foi tomada no congresso mundial de Toubacouta, no Senegal, e só pode ser motivo de regozijo para todos os açorianos. Afinal, o paraíso está mesmo aqui ao alcance dos nossos olhos.

quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Bandarra e Experimentar na M'Incomoda prometem agitar Teatro Faialense


Os próximos dias 3 e 4 de Junho vão ser dias cheios para quem estiver pelo Faial. Durante o dia, as estradas vão andar agitadas com o Rally Ilha Azul e a noite promete bombar com os mais recentes sucessos da música portuguesa, já que os "Bandarra" e o "Experimentar na M'Incomoda" vão subir ao palco do Teatro Faialense, pelas 22h00, para partilharem com os faialenses dois concertos únicos. A não perder!