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terça-feira, 12 de maio de 2009

Tristeza pingada

O Inverno chora lá fora
e as suas lágrimas jorram
sem rumo ou direcção,
ao arrepio das dores
e dos incómodos da alma.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Amanhecer



Luz que dói na escuridão,
correndo o pântano da dor
com sua leveza e brilhantina.

Fio de incandescência,
que deixa transparecer
os pontos negros da alma
e os vazios do pensamento.

Esperança fina, ténue
como a dor quando arranca,
antes de surgir em força
e profundidade.

Suave toque de brisa
voando sobre a tempestade,
com a ligeireza da bruma
que não tem medo das raízes
de força bruta,
nem dos trovões de som eterno.

Lídia Bulcão


Crédito foto: Azorina/ Gilda Pontes

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Folhas de Outono



Secas, duras e estaladiças são as folhas do Outono,
como as almas doloridas, que se quebram ao primeiro abano.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O cheiro da civilização

Ao passar pela feira mensal de Coina no último fim-de-semana, com a sua habitual confusão de trânsito, gentes e chão de poeiras infindáveis, dei por mim a voar para Portobello Market, em Londres. Ex-libris de Notting Hill, Portobello Market é uma mescla de mercado, feira e multiculturalidade.

Há legumes frescos, roupa de qualidade, antiguidades, artigos de decoração, raridades e velharias. Há vendedores de sempre e trocas de mercadorias, tesouros que se exibem mas ninguém compra, velharias que são disputadas e sobretudo muita mistura de gentes e culturas.

São salsichas alemãs com pastelaria inglesa, são frutas frescas e peixe no gelo, são panelas e tachos, baús e cabides, quadros, espelhos, molduras, moedas, selos e vinis. São roupas modernas para o Verão e barracas com artigos em segunda mão. Botas velhas recuperadas, sapatos engraxados e malas encardidas. Há de tudo para vender, logo há de tudo para comprar. E há, sobretudo, gente que tudo procura e ali encontra.

Há cheiros no ar. Há confusão nas ruas, atafulhadas mas transitáveis. As barracas nas laterais dos passeios permitem ao trânsito circular. Mal, mas, ainda assim, circular.

Há conversas e negociações, há confusão, há misturas e há até avisos claros de que os carteiristas andam por lá. Mas não há gritos, não há discussões, não há empurrões.

Há gente, muita gente. Locais, turistas, e de outros regiões da cidade ou do País. Há indianos, asiáticos, africanos, árabes, europeus e até americanos. Mas não há guerra, nem tão pouco se nota o preconceito.

No mercado de Portobello Road há uma mescla de gente e culturas. Mas há sobretudo o cheiro da civilização.

Crédito foto: @LBulcao

terça-feira, 10 de junho de 2008

Mundo esquizofrénico


@Mário Leal


Linhas cruzadas, traços emaranhados,
pontos escuros e gritos histéricos.
Vidas confusas estas que se perdem,
enlouquecidas na voracidade dos dias.
Lídia Bulcão

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Lua de Prata

Lua de prata
que te espelhas no horizonte,
desce ao azul
que ameaça perder-se
na profundidade


Lua branca
que pareces cair sobre o mundo,
desce à vida
que se lentamente se acanha
à superfície


Lua grande
que encandeias a noite,
desce à solicão
que alumia a alma
da açorianidade