quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um Natal de palavras sentidas

Neste mundo cada vez mais obcecado pelo som e pela imagem, esquecemos por vezes a importância das palavras. Perdidos na voragem dos dias festivos que nos desassossegam a carteira e o estômago, deixamos que as imagens dominem os nossos sentidos natalícios e damos cada vez menos espaço às letras. Mas para alguém como eu, que sempre fez das palavras um modo de vida, é impossível viver esta quadra plenamente sem vos deixar aqui umas linhas sentidas. Não que elas tenham mais valor do que os muitos postais de Natal que nestes dias sempre vão chegando, ou do que as imagens coloridas que nos aquecem o coração, mas simplesmente porque é nelas que consigo verter o que esta alma insular vai consumindo e o espírito irrequieto digerindo. E se por estes dias só faz sentido partilhar o calor dos abraços e o sorriso dos corações com aqueles a quem queremos bem, também não é menos verdade que nos apetece abraçar todos os pedaços de carinho, amizade, força, incentivo e solidariedade que ao longo do ano vão sendo plantados dentro de nós, ajudando a aperfeiçoar a rudeza do nosso próprio basalto e a germinar as sementes de que precisamos para conquistar um futuro mais risonho. É, por isso, com palavras que aqui vos deixo um imenso abraço e um só desejo:


Que tenham um Santo Natal,

repleto de abraços sentidos e inesquecíveis!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Em período de pousio

Nas últimas semanas, "A ilha dentro de mim" tem estado em período de pousio forçado. Infelizmente, o tempo não se multiplica, por mais que deixemos que os ponteiros do relógio se atrasem e tentemos saltar alguns capítulos do dia. Mas mesmo por entre o corre-corre da nova agenda e a organização de toda uma vida, há linhas que anseiam por ser escritas e outras que já pedem mesmo para ser publicadas. Dizem que a inspiração anda por aí e que não tarda nada irá irromper novamente por esta ilha adentro. Oficialmente, ainda não sei de nada, mas, pelo sim pelo não, também vou ficar à espera... Até daqui a pouco!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Quatro anos na rota desta ilha

De mansinho, e quase sem dar por eles, celebraram-se quatro anos nesta ilha. Tão de mansinho, que precisei de uma semana para dar pelo aniversário. Quis o acaso que 19 de Junho fosse o dia em que dei à luz este espaço, feito de escrita e para a escrita, ainda que moldado pelas raízes da minha inegável açorianidade. E se a escrita, como instrumento de auto-conhecimento e lucidez, é talvez o activo maior deste blogue, a açorianidade, essa, é a sua essência mais profunda. Hoje, como há quatro anos, continuo a acreditar que "a ilha é tudo menos um lugar estanque". Mas porque hoje, muito mais do que há quatro anos, sei que o "devir" é uma urgência da vida, renovo aqui os votos de que "a minha ilha" seja sempre "o lugar onde consigo ver para além do horizonte".

domingo, 26 de junho de 2011

Depois de Saramago


«A pior cegueira é a mental,
que faz com que não reconheçamos o que temos à frente.»
                                              in Outros Cadernos de José Saramago


No emaranhado desta semana, muita coisa ficou por dizer, e mais ainda por escrever. Mas por mais que o tempo nos fuja entre os dedos e a actualidade ultrapasse a velocidade dos nossos pensamentos, há emoções que não se perdem na voragem dos telejornais e efemérides a que se volta diariamente. A 18 de Junho completou-se um ano sobre a morte de José Saramago. Depois dele, nada ficou igual na literatura. Mas hoje, como ontem, continuamos a ouvir as suas palavras e a sentir os seus recados presentes. Como se nunca tivesse partido.

Foto retirada de: http://becre-esct.blogspot.com/2010/06/morreu-jose-saramago-nobel-da.html

sábado, 18 de junho de 2011

Um novo "Mundo Açoriano"

Ando por aí um novo Mundo Açoriano à espera de ser descoberto. Tropecei nele quase por acaso, mas prometo que vai passar a fazer parte das minhas rotas obrigatórias. Porque se «o território não é o mapa», como dizia o poeta Emanuel Jorge Botelho, e se «a "açorianidade" não tem princípio nem fim», como escreveu o director do projecto Eduardo Jorge Brum, também não é menos verdade que as nossas raízes não morrem nunca, ainda que lhes falte a quantidade certa de água salgada para matar a sede. Definitivamente, «somos seres estranhos. Feitos de almas nómadas e desejos andarilhos, mas com raízes profundas e amarras eternas».

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Não há força, nem vento, para contrariar a maré

@ailhadentrodemim




















Se esta Lua falasse, 
diria o que mil palavras não dizem
e mil emoções não desvendam.

Se esta Lua falasse, 
diria o que nunca conseguirei escrever, 
nem o engenho do fotógrafo captar.

Se esta Lua falasse, 
diria o que a memória esculpiu na pedra
e o barulho do mar gravou na mente.

Se esta Lua falasse, ficaria muda. 
Porque é imenso o peso do que teria para dizer,
e não há força, nem vento, para contrariar a maré.

Lídia Bulcão

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Porque os Açores serão sempre "a nossa certeza"

(Foto via Fernando Pimentel)

Porque hoje se celebra o Dia dos Açores, devíamos todos erguer esta bandeira bem alto e gritar a nossa açorianidade aos quatro cantos do mundo. Porque hoje se celebra a nossa Autonomia, é também o dia de analisarmos o caminho que temos sido capazes de percorrer e de reconhecermos a necessidade de afinar o rumo, para que possamos enfrentar de pé as tempestades que espreitam no horizonte e alcançar juntos um futuro seguro. E porque hoje é também o dia em que a palavra Açores ecoa mais fundo no coração de todos os açorianos, escolho deixar aqui aqui o Hino da região, cujos versos intemporais de Natália Correia guardam as certezas que nenhum ilhéu devia jamais esquecer. Porque os Açores são, e serão sempre, "a nossa certeza".

HINO DOS AÇORES

 «Deram frutos a fé e a firmeza
no esplendor de um cântico novo:
os Açores são a nossa certeza
de traçar a glória de um povo.

Para a frente! Em comunhão,
pela nossa autonomia.
Liberdade, justiça e razão
estão acesas no alto clarão
da bandeira que nos guia.

Para a frente! Lutar, batalhar
pelo passado imortal.
No futuro a luz semear,
de um povo triunfal.

De um destino com brio alcançado
colheremos mais frutos e flores;
porque é esse o sentido sagrado
das estrelas que coroam os Açores.

Para a frente, Açorianos!
Pela paz à terra unida.
Largos voos, com ardor, firmamos,
para que mais floresçam os ramos
da vitória merecida.

Para a frente! Lutar, batalhar
pelo passado imortal.
No futuro a luz semear,
de um povo triunfal.»

Letra: Natália Correia

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Baía da Horta reconhecida como uma das mais belas do mundo

Um fim de tarde no paraíso (Foto:LBulcão)

A beleza da baía da Horta acaba de ser reconhecida internacionalmente, com a entrada no Clube das Mais Belas Baías do Mundo, ainda que a título provisório. A decisão foi tomada no congresso mundial de Toubacouta, no Senegal, e só pode ser motivo de regozijo para todos os açorianos. Afinal, o paraíso está mesmo aqui ao alcance dos nossos olhos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Bandarra e Experimentar na M'Incomoda prometem agitar Teatro Faialense


Os próximos dias 3 e 4 de Junho vão ser dias cheios para quem estiver pelo Faial. Durante o dia, as estradas vão andar agitadas com o Rally Ilha Azul e a noite promete bombar com os mais recentes sucessos da música portuguesa, já que os "Bandarra" e o "Experimentar na M'Incomoda" vão subir ao palco do Teatro Faialense, pelas 22h00, para partilharem com os faialenses dois concertos únicos. A não perder!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quando a madrugada desperta a tremer...

Hoje, o dia amanheceu na ilha do Faial com a casa a dançar ao som da terra. Confesso que acordar com a cama a sacudir debaixo do corpo nos faz temer sempre o pior. Ou não tivéssemos todos ainda demasiado fresca a dor que o abalo de 98 trouxe à ilha e a todos os que nela se prendiam. Felizmente, desta vez, tudo não passou de um grande susto, por isso, toca a voltar a encaixotar os medos no baú das recordações. A madrugada já se foi, mas está, sem dúvida, um lindo dia para ser feliz!

domingo, 22 de maio de 2011

Debaixo da ventania

Olhas, mas não queres ver.
Vês, mas não queres perceber.
Percebes, mas não queres enfrentar.
O medo tolda-te as pernas
e enfraquece o coração.
Rouba-te a liberdade que conquistaste
e enegrece os dias em que o sol brilha alto.
Não há janela que te ilumine a casa,
nem porta que te areje os sentidos.
Há, sim, uma enorme ventania,
que percorre célere os corredores da memória.
E, de vez em quando, ameaça tornar-se um vendaval.

Lídia Bulcão

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mais um passo para devolver o verdadeiro esplendor a Porto Pim!

Baía faialense ainda espera a recuperação das suas ruínas (LBulcão)

A atribuição da Bandeira Azul à Praia de Porto Pim, que foi hoje conhecida, é sem dúvida uma grande notícia para a ilha do Faial. Não apenas por passar a contar com mais uma zona balnear distinguida por aquele galardão, que se junta assim aos já habituais na Praia do Almoxarife e  no Varadouro, mas porque significa a devolução da dignidade àquela que durante séculos foi a zona balnear por excelência dos faialenses. Atormentada durante anos por descargas ilegais e esgotos mal tratados, que levaram muitos banhistas habituais a trocarem as suas águas tranquilas e temperadas por outras mais revoltas, a Praia do Porto Pim vê finalmente recuperada a qualidade da sua água e limpo o seu bom nome. Esperemos que a atribuição deste galardão signifique também que o Governo Regional dos Açores se vai empenhar a sério na conclusão da prometida recuperação do complexo infra-estrutural do Monte da Guia, que há anos vai caminhando a conta-gotas, num lento e quase interminável processo. Só aí, sim, a Baía de Porto Pim poderá de novo brilhar em todo o seu esplendor!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Mais de 600 livros açorianos à solta em Lisboa

Pela primeira vez em oito décadas de história da Feira de Lisboa, este ano há um stand só para autores açorianos, onde serão disponibilizados mais de 600 títulos. Desde o romance à poesia, sem esquecer o ensaio histórico e outros que tais, é sem dúvida uma bela oportunidade para rechear a minha biblioteca insular, sem  ter de me preocupar com a exorbitância a pagar pelo excesso de livros que todas as férias trago na bagagem. É um belo presente para os ilhéus exilados na capital deste País à beira de um ataque de nervos.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Descodificando a música portuguesa

Continua imparável o realizador Tiago Pereira, que por estes dias anda em trabalho de campo no Faial. O vencedor do prémio Megafone/João Aguardela para a categoria "Missão" anda pela ilha azul em busca de testemunhos de tocadores e cantadores locais de música popular e ligeira para dar corpo a um novo trabalho, que conta também com a colaboração local da recém-criada Associação Cultural Música Vadia. Mas porque a música portuguesa tem muitos códigos, Tiago Pereira vai também apresentar ao público faialense o seu "Significado - Se a música portuguesa gostasse dela própria", o documentário com que arrecadou o referido prémio nacional e que é um bom descodificador dos sentidos da música que também é nossa. Para ver e debater na Fábrica da Baleia, na cidade da Horta, amanhã (dia 21) pelas 18h00.

terça-feira, 12 de abril de 2011

As horas do avesso

Acordar no vazio da madrugada.
Descobrir que o mundo não tem
a cor que sempre lhe vimos.
Virar as horas do avesso,
numa vã tentativa
de lhe tentar encontrar as costuras.
Descoser as linhas incertas
que pareciam coladas com super cola.
E ficar a ver os pedaços desfeitos
que um dia foram a manta dos nossos sonhos.

Lídia Bulcão

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quatro anos depois de ti

Há dias que o tempo não gasta. Datas que a memória não lava. Números que parecem gravados na agenda da eternidade. E que se repetem em todos os calendários que o futuro nos traz, com a finalidade única de nos recordar de onde viemos e para onde vamos. Hoje é um dia assim. Somam-se quatro anos depois de ti.

sábado, 12 de março de 2011

"Portuguese blues", ou um sonho chamado "Faial"

Dizem que a bruma nos entristece a alma e enevoa o coração, mas há sempre quem consiga  ver a beleza para lá da cortina de nevoeiro. Quando o Inverno desce à cidade, é com o nosso Faial que o guitarrista norte-americano Steve White sonha. Uma "portuguese blues" para saborear com um sorriso nos lábios. Perfeita para aquecer uma noite de Inverno como esta.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Vão Experimentar faz favor, que não ficarão nada Incomodados

 

MusicBox, Lisboa, dia 17 de Fevereiro. Excelente oportunidade para sorver os sons irreverentes do primeiro álbum do "Experimentar Na M'Incomoda", do faialense Pedro Lucas. Depois da menção honrosa nos Prémios Megafone 2010, o primeiro disco está na rua e o grupo anda por aí em digressão, experimentando os palcos desse País. Quinta-feira vá até lá e perceba porque é que a crítica especializada se apaixonou pelo som deles.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Basanitas do Al-Zéi em exposição na Moita


O conhecido escultor alentejano Al-Zéi, há muito radicado na ilha do Faial, anda em digressão pelo País com a sua exposição "Só Bombas... Piroclásticas". Depois da itinerância por terras alentejanas, chegou agora a vez do Vale do Tejo, com a inauguração da mostra a ter lugar hoje, pelas 21h00, na Galeria de Exposições do Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira, concelho da Moita. As suas obras são verdadeiros pedaços de lava, vindos dos vulcões faialenses, a que o escultor José Francisco Pereira deu personalidade própria, moldando-lhes rostos nos sulcos do basalto. Para ver até 26 de Fevereiro, de Terça a Sábado, entre as 10h00 e as 18h30.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Humidade tem de rimar com sustentabilidade


O outro lado da Caldeira, uma das nossas 12 Zonas Húmidas
(Foto: LBulcão)

Temos ainda “um longo percurso para entendermos a natureza dos Açores, as suas particularidades e valores" e, sobretudo, "para aprendermos a viver com ela num equilíbrio sustentado". As palavras são do botânico Eduardo Dias, em declarações ao jornal Correio dos Açores a propósito o Dia Mundial das Zonas Húmidas, que hoje se celebrou, e não podiam ser mais certeiras.

Todos sabemos que «compreender o valor que tem para nós e ajustar os nossos padrões de vida e de desenvolvimento às condicionantes do meio são atitudes inteligentes e revelam identidade cultural», tal como afirma aquele especialista da Universidade dos Açores. Contudo, o caminho para o futuro é longo e a nossa memória muitas vezes demasiado curta. É, por isso, urgente que interiorizemos esta necessidade como fundamental para a nossa sustentabilidade enquanto povo.

Não basta fazer publicidade às maravilhas naturais dos Açores, nem conseguir classificações especiais para as suas Zonas Húmidas. Não chega amá-las perdidamente, nem exibi-las com orgulho perante os flashes dos amigos e turistas que por cá vão passando. É necessário também estudá-las, conhecê-las e compreendê-las. Só assim as poderemos proteger e preservar devidamente.

Ao contrário do que muitos pensam, cuidar que tudo isso é feito não é uma tarefa exclusiva do Governo Regional dos Açores, nem das entidades ambientais. É, sim, uma responsabilidade de todos e cada um de nós, ilhéus deslumbrados que somos com a beleza das nossas paisagens e ofuscados com desejos de outras glórias. Preservar pode rimar com explorar, mas para que a Natureza dos Açores seja de facto um poema perfeito é essencial garantir sílabas sustentáveis e versos com espaços para um futuro mais verde. Aqui, a humidade também tem de rimar com sustentabilidade.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A propósito de literatura, TV e Internet, ou a arte de partilhar

«Literature is where you retreat when you're sick of celebrity divorces, political mudslinging, office intrigues, trials of the century, new Apple products, internet flame wars, sexting and X Factor contestants – in short, everything that everybody else spends most of their time thinking and talking about.»

«It is what the internet lures out of us – hubris, daydreams, avarice, obsessions – that makes it so potent and so volatile. TV's power is serenely impervious; it does all the talking, and we can only listen or turn it off. But the internet is at least partly us; we write it as well as read it, perform for it as well as watch it, create it as well as consume it. Watching TV is a solitary activity that feels like a communal one, while the internet is a communal experience masquerading as solitude.»

«What else is an artist but someone who believes that she can barter a little piece of herself to the world and not only preserve its essential worth, but even multiply it, by sharing it with others?»
 
Laura Miller, How novels came to terms with the internet, in The Guardian, 15/01/2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A mística do que é nosso



The most colourful marina in the world from Alexandre Jesus on Vimeo.

A luz, a cor, o mar, as gentes. A essência do que é genuíno. A mística do que é nosso. Passando a publicidade ao Peter, é sem dúvida um belíssimo vídeo, com a assinatura do Alexandre Jesus.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Açores não escapam às descidas nas dormidas

Vai ser preciso muito mais do que artigos destes para fazer frente a notícias destas.

Em nome de um futuro mais feliz!

Foto: http://www.luamistica.com
 
O Ano Novo arrancou sem que tivesse deixado neste blogue as minhas resoluções, por mil e uma razões que não interessam aqui esgrimir. Agora, o Novo Ano está prestes a entrar em velocidade de cruzeiro e é tempo de deixar apenas um pedido. Não um pedido a 2011, mas sim a todos os que por aqui vão passando, mais ou menos frequentemente, e se dão ao trabalho de me lerem: que não deixem nunca que os outros comandem as vossas vontades, nem fiquem à espera que a felicidade saia no Euromilhões. Por mais dúvidas e receios que vos passem na alma, lembrem-se sempre que o futuro pode ser um lugar mais feliz. Mas que também isso está inteiramente nas vossas mãos!