sábado, 30 de junho de 2007

O regresso

O brilhozinho nos olhos mostra o que as palavras já não conseguem dizer. O seu olhar sorridente faz-me lembrar o meu próprio olhar quando regressava a casa. É o olhar da saudade, da ânsia do regresso, da certeza de que o que desejamos está ali, ao alcance dos olhos e, portanto, também do coração.


Era assim que me sentia quando vinha de férias. E é assim que ela se sente quando regressa a casa. O olhar que outros levam quando vão para destinos incertos, à procura de aventuras e lazer, é o que ela traz no regresso.


No fio daquele olhar, do brilho que não fala mas diz tudo, está o peso das vivências dos últimos dias, em que as lágrimas correram a uma velocidade mais assustadora do que as certezas que temos sobre o futuro.


A turbulência que o avião deixa sentir parece reflectir a turbulência que vai dentro dela, dividida entre a felicidade que não consegue viver e a tristeza que não pode sentir. E a divisão é tremenda.

3 comentários:

Caiê disse...

Divididos entre dois mundos... penso que somos todos nós, os errantes. Pior é quando esses mundos se multiplicam e passam a ser mais que dois. Damo-nos conta de que a nossa casa só mora dentro de nós.

Li disse...

Gosto dessa expressa "a nossa casa só mora dentro de nós". É uma verdade que só a experiência do tempo nos mostra.

RD disse...

"Eu sou eu e as minhas circunstâncias" Ortega y Gasset

O homem nunca se ausenta, se desvincula ou rompe com as raízes que o ligam ao seu mundo, à sua realidade.
Estas ligações são, contudo, «móveis» - há devir na nossa interpretação... a realidade pode é ser essa e sim..., não é tão cómodo digeri-la. Ou é. Depende dos errantes.

Vou tentar reanimar o meu Marketing com uma série de crónicas sobre Filosofia que estão a sair às sextas no Açoriano Oriental, no Expresso das Nove e no Jornal Diário. Vão passando.

Beijos.