quarta-feira, 10 de novembro de 2010

R.I.P Mário Machado Frayão

Morreu ontem o poeta faialense Mário Machado Frayão. Apartado da ilha há largos anos, foi incapaz de a esquecer, vertendo para a escrita as memórias que lhe apertavam o coração. Hoje, estão espalhadas em várias antologias de poesia açoriana e livros como "Enquanto o Mar se Renova", "Poemas do Mar Atlântico" , "Os Barcos Levam Nomes de Mulheres" e "Cartas de Marear". Foi-se o homem, ficam as suas palavras.


ELA TINHA OS OLHOS VERDES

«Ela tinha os olhos verdes
da cor das águas do Porto Pim
O anel
podia ser de Margarida
Clark Dulmo
Ainda vai chegar muita gente à Semana do mar
Sossegam as traineiras sobre um mar de luzes
e por cima das traineiras
sobre a nossa noite grasnavam garajaus
Descem
por uma escada em caracol
outras mulheres
que o sol e o mar nos entregam
cada dia mais formosas
Depois da Festa
(o melhor, além das moças,
bem moças e bem gentis,
mulheres de fala cantante,
foi quando as velas se ergueram nas canoas baleeiras
lembrando as asas de um pássaro)
depois da Festa
vou caminhar sobre a lava arrefecida
na costa da ilha negra
ilha da grande montanha.»


Mário Machado Frayão 
(1952-2010)

4 comentários:

César João disse...

Paz para a sua alma.
Bom post

Rodrigo Passos disse...

lindos versos!

Mar de Bem disse...

Era poeta o Mário...
Pediu-me este verão para pintar alguns dos seus poemas... e foi-se, tão cedo, tão frágil, tão etéreo... a Vida não o consentiu mais...e os poemas agora morrem sós, solteiros...sem cenário, sem o lado de trás que os acolhia e protegia...
Mário, tão frágil, partiste...e foste só, no caminho que a sombra da tua vida te levou. Sê estrela, agora!!!

Eliane F.C.Lima disse...

Poetas sempre ficam, multifacetados em seus textos.
Eliane F.C.Lima