segunda-feira, 18 de maio de 2009

O herói que todos gostariam de ser


O primeiro regresso de Genuíno Madruga aconteceu há sete anos, precisamente pelas 15 horas dos Açores. Depois de ter inscrito o seu nome numa lista muito exclusiva, tornando-se o primeiro açoriano e o segundo português a completar a volta ao mundo em solitário, o pescador-velejador regressou a casa. A emoção daquele dia 18 de Maio de 2002 foi forte. Muito forte. Para ele e para os milhares de pessoas que o foram esperar ao Porto da Horta, transformando a frente marítima da cidade num mar de gente.
Em honra dele, o canal encheu-se de velas e embarcações náuticas, que correram para o mar, acompanhando o seu Hemingway ao longo das últimas milhas. Passaram sete anos, mas revejo a memória daquele dia como se fosse hoje. A bordo de uma embarcação da Capitania da Horta, tive a oportunidade de viver o momento e gravá-lo para sempre.
Lembro-me do balançar da lancha durante a longa espera e das suas consequências nos marinheiros improvisados. Lembro-me da agitação quando se avistou a vela do Hemingway e do brinde no reencontro. Lembro-me dos seus olhos a brilhar quando encontrou os do filho mais velho que seguia a bordo connosco. Lembro-me da surpresa no seu rosto quando virou a ponta da doca e foi surpreendido por milhares de vozes que saudavam o seu regresso. Lembro-me da emoção quando reencontrou a família e conheceu o neto nascido durante a sua ausência. Lembro-me da sua incredulidade perante tal moldura humana. Lembro, sobretudo, da sua incrível energia, que escondia a extenuação do corpo e as saudades da alma.
Passaram sete anos e o um momento semelhante ameaça repetir-se. O pescador que se tornou velejador por mérito próprio, vem novamente a caminho, com mais uma façanha realizada. Agora, pertence também ao clube exclusivo de 9 velejadores internacionais que conseguiram dar duas voltas ao mundo em solitário. E o canal está novamente à sua espera para saudar o herói que todos gostariam de ser.
Crédito das fotos: LBulcao/Tribuna das Ilhas

7 comentários:

joão coelho disse...

Genuíno Madruga vai tornar-se no primeiro português a fazer a volta ao mundo em solitário, via Cabo Horn.. a viagem para gente de "barba rija". Em 1989, Manuel Martins, comissário da TAP, no seu "Casvic" (Cabo de S.Vicente) fez, de facto, uma volta ao mundo em solitário, mas tal como G.Madruga em 2002, optou pelo Canal do Panamá, num percurso que é mais "tranquilo" do que o do Cabo Horn. Daí que Genuíno Madruga mereça um acolhimento ainda mais caloroso quando chegar à Horta. Espero que a RTP-Açores faça reportagem digna do feito e, já agora, que a possamos ver no Continente. Bem sei que Madruga não é o Cristiano Ronaldo, ou o FC do Porto, mas uma transmissão em directo, se a chegada for a hora conveniente, não seria nada que ele não merecesse ( e nós..)

og disse...

é bem verdade joão coelho!! acompanho a Volvo Ocean Race todas as semanas e vi o que os concorrentes passaram par dobrar o Cabo Horn... é preciso tê-los!!

...pelo canal do panamá é pra meninos!!

força Genuino, mostra o que é ser ilhéu!!

joão coelho disse...

Pela minha parte vou fazê-lo; enviar mensagem à redacção da RTP por forma a que, se a chegada do G.Madruga se verificar em hora diurna, o serviço público de televisão transmitir, em directo e a nível nacional, o acontecimento. A proeza merece, é única no nosso país e tem um significado que ultrapassa as tretas normalmente emitidas, durante o dia, pela RTP. Façam o mesmo, para ganhar mais força.Passem palavra.

Jose Augusto Soares disse...

Não é façanha ao alcance de qualquer um.

Grande Genuíno!

joão coelho disse...

Não resisto a deixar aqui um poema que encontrei nos anos 90, num jornal da Horta, não recordo se "O Telégrafo" ou o "Correio da Horta".
Creio que este alinhavar de palavras, sob o título "Aventureiro" fica bem com o Genuíno Madruga..

"Além,no horizonte, a mancha branca,
Parece uma borboleta esvoaçante,
em jardim invisível e distante,
Tal livre e ledo, alado insecto.
D'aqui teu rumo sigo embevecido,
Ressuscitando sonho já esquecido,
Que por ti revivo, ora, circunspecto.

Além, no horizonte, a mancha branca,
Não é já borboleta esvoaçante,
Que agora, mais perto e não distante,
A forma distingo já por inteiro.
Velas vejo e não asas na verdade,
Mas ruma com a mesma liberdade,
Liberdade, própria d'aventureiro."

Este poema era assinado por LAF, com data de 4 de Julho de 1992. Nunca consegui saber quem é o seu autor.

Saudações atlânticas

A ilha dentro de mim disse...

Concordo plenamente: em directo é que devia ser!

Anónimo disse...

Outro herói:
http://www.azoresglobal.com/canais/noticias/noticia.php?id=4617