Se o parto antigamente era «um negócio de mulheres e só de mulheres», como lembra João Dória Nóbrega, nos dias de hoje tem sido um negócio de clínicas e hospitais. Agora, o que é preciso é que deixe de ser visto como um negócio e passe a ser o que sempre devia ter sido: um assunto de família.
Coisa estranha esta de ser ilhéu. Pedaço de alma rodeado de lava por todos os lados. Ou será rodeado de... poesia?
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
«É tempo de voltar a sentir»
Se o parto antigamente era «um negócio de mulheres e só de mulheres», como lembra João Dória Nóbrega, nos dias de hoje tem sido um negócio de clínicas e hospitais. Agora, o que é preciso é que deixe de ser visto como um negócio e passe a ser o que sempre devia ter sido: um assunto de família.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A mística do que é nosso
The most colourful marina in the world from Alexandre Jesus on Vimeo.
A luz, a cor, o mar, as gentes. A essência do que é genuíno. A mística do que é nosso. Passando a publicidade ao Peter, é sem dúvida um belíssimo vídeo, com a assinatura do Alexandre Jesus.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Açores não escapam às descidas nas dormidas
Vai ser preciso muito mais do que artigos destes para fazer frente a notícias destas.
Em nome de um futuro mais feliz!
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| Foto: http://www.luamistica.com |
O Ano Novo arrancou sem que tivesse deixado neste blogue as minhas resoluções, por mil e uma razões que não interessam aqui esgrimir. Agora, o Novo Ano está prestes a entrar em velocidade de cruzeiro e é tempo de deixar apenas um pedido. Não um pedido a 2011, mas sim a todos os que por aqui vão passando, mais ou menos frequentemente, e se dão ao trabalho de me lerem: que não deixem nunca que os outros comandem as vossas vontades, nem fiquem à espera que a felicidade saia no Euromilhões. Por mais dúvidas e receios que vos passem na alma, lembrem-se sempre que o futuro pode ser um lugar mais feliz. Mas que também isso está inteiramente nas vossas mãos!
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Da blogosfera para o papel
Este poema já tinha sido postado aqui, mas agora foi a vez de sair da blogosfera para o papel, tendo sido publicado na última edição do jornal cultural Avenida Marginal. Por esta razão, e porque em final de ano passamos os dias a olhar para esse Tempo dos Homens, volto aqui a deixá-lo, quiçá em jeito de balanço de um ano bastante dorido.
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| Foto: LBulcão |
De frente para o tempo dos Homens
a escarpa é um lugar sentado,
olhando os ponteiros da vida
e os sons desse mar prateado.
Vejo cores de outros seres
e gargalhadas de dias maiores,
memórias que não se escrevem
à espera de sentimentos melhores.
Nas pedras, o rosto dorido.
Na terra, a dor que não sente.
É urgente tirar essa capa
e retocar o estuque por dentro.
Lídia Bulcão
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Legenda com profundidade de poesia
«Aterrar numa ilha no meio de uma tempestade obriga-nos a concentrar no tamanho das coisas. À medida que a distância no chão diminui, as "coisas" ficam na escala confortável. Ou seja, a que nos conforta por ser a distância à qual costumamos estar. Uma ilha lança constantemente esse desafio: ao perto tudo é reconhecível; ao longe, é bom que fique perto; de muito perto, fica a mancha, um pedaço de terra.»
Cristina Peres, "Cabo Verde - Velocidade de Cruzeiro",
in Courrier Internacional nº178, de Dezembro de 2010
Ancoradouro:
Escritos com sentido
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Ai se a Central de Ondas fosse mais perto do Palácio de Sant'Ana...
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| Foto: http://pt.wavec.org/client/files/Pico_onda.jpg |
Numa região com tanto potencial marítimo como os Açores, custa a acreditar que os responsáveis políticos ainda não tenham aberto os olhos para o filão inexplorado que têm à frente dos olhos. E é difícil aceitar que um projecto inovador como foi o da Central de Ondas do Pico possa acabar assim, abandonado por falta de financiamento. O presidente do Governo Regional passa a vida a gabar-se de que a região tem um "superavit", então porque raio não dispensa uns meros 500 mil euros para recuperar uma estrutura desta importância? Será porque as contas não são bem assim, ou porque a Central de Ondas da ilha do Pico fica muito longe do palácio de Sant'Ana?
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Um "passo notável", até para o DOP
Não é preciso sair da ilhas para fazer um bom trabalho e ser reconhecido internacionalmente por isso. A entrada do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores como parceiro na Global Ocean Biodiversity Iniciative (GOBI) é a melhor prova disso. Um "passo notável", até mesmo para uma instituição com créditos firmados como o DOP.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Votos de um Natal sentido
| Foto: LBulcão |
Há dias em que só faz sentido partilhar o calor dos abraços e o sorriso dos corações com aqueles a quem queremos bem. Há dias em que é impossível não celebrar os bocadinhos de nada que colamos para fazer o todo que nos compõe. Há dias em que só queremos abraçar os pedaços de amizade, carinho, solidariedade e respeito plantados na nossa vida por todos os que fazem dela um terreno especial. Há dias assim, que fazem desta quadra natalícia um momento único, aonde não podemos deixar de voltar sempre, mesmo que não tenhamos a certeza de encontrar tudo aquilo de que precisamos. E porque esta semana é feita de dias como esses, deixo aqui os meus votos de Boas Festas para todos os que por cá forem passando.
Que tenham um Santo Natal, pleno de paz, amor e alegria!
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Encharcada até aos ossos, mas com a alma aquecida
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Não há nada como regressar à ilha, ainda que encharcada até aos ossos com a humidade e o temporal que crescem lá fora. Mesmo às portas do Natal, a Natureza ainda é quem mais ordena por aqui. Mas por mais que o vento nos embale, a chuva nos atormente e as brumas nos toldem o alcance dos olhos, há sempre como reencontrar o calor certo para derreter o gelo que ameaça o coração. No mar onde me encontro, o horizonte pode não se ver, mas a alma, essa, navega bem aquecida.
Foto retirada de: http://www.tribunadasilhas.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1566:proteccao-civil-chuva-forte-no-grupo-central&catid=1:local&Itemid=2
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Calendário de emoções
onde a vida quase congelou,
à espera do momento certo
de poder dizer que despertou.
Vejo nas tardes um mar revolto
perdido na sua agitação,
rodeado de ondas soltas,
sem qualquer rumo ou direcção.
Vejo nas noites a carta da alma
estendida em confidências ousadas,
desassossego de vidas
que carregam penas pesadas.
Vejo nos dias pedaços do tempo
que se escoam na sequência correcta,
como se a vida fosse um calendário
em que as emoções têm hora certa.
Lídia Bulcão
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Com a bruma na varanda
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| Foto: LBulcão |
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Vestida com o pôr-do-sol
| Foto: LBulcão |
O final do ano aproxima-se a passos largos e começamos todos a pensar no balanço do que somos e nos rumos do que queremos ser. Neste blogue, a época de arrumações também começa a dar os primeiros passos e nada como lavar a cara para podermos ver o mundo com os olhos límpidos. "A ilha dentro de mim" está renovada e apresenta-se agora vestida com o pôr-do-sol. Porque a luz do entardecer dá-nos sempre outra perspectiva sobre o horizonte de todos os dias.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
O País não esquecerá. E os açorianos também não!
A polémica proposta de Carlos César só tem servido para denegrir a imagem da autonomia regional perante o resto do País. Desde o escândalo da reportagem dos Golfinhos em 1993, que não me lembro de ver os Açores e o povo açoriano a serem tão enxovalhados publicamente em todo o País. Quase na hora da despedida, o presidente do Governo Regional dos Açores está a conseguir deitar no caixote do lixo o respeito e o mérito que a luta autonómica tanto se esforçou por conquistar nas últimas três décadas. E isto já para não falar no crédito político que o próprio Carlos César ainda detinha no partido e no País. Se a ideia era garantir a subserviência de mais 3700 funcionários regionais, o objectivo poderá até ser cumprido. Mas se era para fazer frente a Sócrates e mostrar ao País como se Governa uma região, então o líder do Governo açoriano excedeu-se largamente. Depois disto, Carlos César não mais poderá voar da região para a presidência do partido e muito menos aspirar chegar um dia à Presidência da República. O País não esquecerá. E os açorianos que foram tão duramente enxovalhados na praça pública também não.
Ancoradouro:
Açorianidades,
Actualidades
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Os insólitos da Saúde nos Açores
Esta história da jovem bipolar que foi transferida de Ponta Delgada para tratamento no Hospital da Horta é inenarrável. Pelo insólito da situação e porque é sintomática do estado de degradação a que chegou a Saúde na Região Autónoma dos Açores. O passivo do sector ronda os 600 milhões de euros (equivale a quase metade do passivo do Ministério da Saúde no continente português) e os dois maiores hospitais da região estão falidos. Mas parece que ainda há dinheiro para pagar 16 ordenados de altos dirigentes em duas Unidades de Saúde que não têm mais do que cinco médicos no total. E enquanto o Secretário Regional da Saúde está ocupado a afundar o que sobra do sector, cerca de 80 mil açorianos continuam sem médico de família e muitos outros ainda estão em lista de espera para uma consulta ou cirurgia. No meio de toda esta confusão, só não deixa de ser algo irónico ouvir o espanto com que alguns micaelenses reagem ao facto de terem de ser transferidos para tratamento noutra ilha, uma realidade que infelizmente qualquer habitante das ilhas "menores" já foi obrigado a encarar como "perfeitamente" normal. Tão normal quanto o descalabro das contas públicas socialistas.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
A clarividência de um arqueológo de palavras
Porque é preciso meter mãos à obra e construir tudo aquilo que ainda está por fazer nestas ilhas, deixo aqui as palavras deste arqueólogo da poesia que é Heitor H. Silva. A clarividência do poeta faialense iá indicava o caminho a seguir, sem que fossem preciso gastar milhares de euros em estudos que dizem ou consultadorias que desdizem.
«Construamos barcos para as madrugadas
insulares. Tábua a tábua, porões,
convés, mastreações, velames,
vento nas enxárceas...
Construamo-los nós mesmos: velas brancas,
lemes, mastros, cascos que se afundem
nos horizontes repetidos.
Vertiginosamente aquáticas estas mãos
que adormeceram tempo de mais
no emaranhado dos sargaços
saberão, certamente, como redimir-se.
Desçamos às profundidades oceânicas
galvanizados por essa voz extrema,
que nos toca tão de perto,
e sintamos em cada tábua que um carpinteiro
alcança a outro carpinteiro
antevisões de serras, puas, prumos,
viagens puras,
cartografia perfeita
inscrita no dorso azul e fusiforme
dos cardumes.
Inéditas seriam estas paisagens submersas
se o coração as não soubesse.
Construamos barcos, ilhas/barcos
derivando.»
Heitor H. Silva, in "Arqueologia da Palavra" (Horta, 1991)
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Actualidades,
Linhas de mestre
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
A economia local agradece, e os amantes de cracas também!
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| Foto: José Borges |
A produção de cracas em regime de aquacultura está a um passo de entrar no mercado açoriano. Depois dos estudos e do ensaio-piloto, o projecto do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) chegou à fase de produção comercial, prevendo-se que em 2011 já exista uma ou até duas estruturas de dimensão comercial em pleno funcionamento. Este projecto, coordenado pelo cientista Eduardo Isidro, parece ter boas pernas para andar e assim contribuir para o desenvolvimento da economia da região, em particular das ilhas Faial e Pico. É, sem dúvida, um bom exemplo da ponte que se pode e deve fazer entre a excelência da academia e a vida real, pondo o investimento feito na ciência ao serviço da população.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
R.I.P Mário Machado Frayão
Morreu ontem o poeta faialense Mário Machado Frayão. Apartado da ilha há largos anos, foi incapaz de a esquecer, vertendo para a escrita as memórias que lhe apertavam o coração. Hoje, estão espalhadas em várias antologias de poesia açoriana e livros como "Enquanto o Mar se Renova", "Poemas do Mar Atlântico" , "Os Barcos Levam Nomes de Mulheres" e "Cartas de Marear". Foi-se o homem, ficam as suas palavras.
ELA TINHA OS OLHOS VERDES
«Ela tinha os olhos verdes
da cor das águas do Porto Pim
O anel
podia ser de Margarida
Clark Dulmo
Ainda vai chegar muita gente à Semana do mar
Sossegam as traineiras sobre um mar de luzes
e por cima das traineiras
sobre a nossa noite grasnavam garajaus
Descem
por uma escada em caracol
outras mulheres
que o sol e o mar nos entregam
cada dia mais formosas
Depois da Festa
(o melhor, além das moças,
bem moças e bem gentis,
mulheres de fala cantante,
foi quando as velas se ergueram nas canoas baleeiras
lembrando as asas de um pássaro)
depois da Festa
vou caminhar sobre a lava arrefecida
na costa da ilha negra
ilha da grande montanha.»
Mário Machado Frayão
(1952-2010)
Ancoradouro:
Açorianidades,
Linhas de mestre
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Isto é absolutamente escandaloso!
Se nos dias de hoje a governação do País já está dependente dos mercados internacionais, imaginem o que vai acontecer a partir de agora, que os partidos políticos vão passar a poder investir na bolsa. E eu que pensava que o inside trading era crime... Esta notícia é absolutamente escandalosa. E muito preocupante.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
A Cadeia de Santa Engrácia
Perante esta notícia, começo a pensar que só quando houver uma revolta das grandes na sobrelotada Cadeia de Ponta Delgada é que as obras vão arrancar de vez. Está visto que gastar dinheiro com prisioneiros não dá votos!
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