Em 2007, o Escaravelho japonês atacou em força no Faial e o alerta devia ter sido imediato. Mas as entidades competentes foram deixando andar, porque só algumas freguesias é que estavam a braços com o problema. Três anos depois, a praga já alastrou a toda a ilha e não dá sinal de recuar. O Faial é já a segunda ilha da região com maior número de capturas, a seguir ao Pico. E como se não bastasse a praga por si, os iscos para combate ao escaravelho chegaram demasiado tarde, aumentando ainda mais os prejuízos nas colheitas. Os agricultores estão preocupados e com razão. Assim, não há colheitas que resistam! Mais uma vez se prova que a prevenção podia ter feito a diferença, se as entidades competentes se tivessem envolvido a sério nesta luta quando as primeiras queixas surgiram. Agora, resta sulfatar tudo o que mexe na vã esperança de minimizar o problema. E, pelo caminho, o uso e abuso de químicos vai certamente deitar por terra o sonho acalentado de transformar o Faial numa ilha de produção biológica por excelência.
Coisa estranha esta de ser ilhéu. Pedaço de alma rodeado de lava por todos os lados. Ou será rodeado de... poesia?
sexta-feira, 30 de julho de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Todas as ilhas devem gritar quando uma sangra

Escrevi estas palavras há pouco mais de um ano, num post por ocasião do DIA F pela destruição ambiental da Fajã do Calhau, que marcou o primeiro protesto conjunto da blogosfera regional. E agora, ao receber esta imagem por email, percebi que continuam a fazer todo o sentido.
Porque ontem se comemorou o Dia Mundial da Conservação da Natureza, reforço que a Biodiversidade não pode ser uma preocupação só nos dias especiais. De pouco serve mostrarmos aos jornais que investimos na reflorestação das plantas endémicas e em parques naturais para proteger a nossa biodiversidade, se depois deixamos que um atentado destes aconteça.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Até a Arte Contemporânea já serve para campanha política
Em tempos de crise, as prioridades do Governo Regional dos Açores continuam a surpreender-me todos os dias. Não foi há muitas semanas que ouvimos Carlos César adiar, pela milésima vez, projectos estruturantes para a ilha do Faial, alegando que não havia dinheiro para tudo por causa da crise. Assim, o Governo adiou mais uma vez as obras de remodelação da Escola Básica da Horta, a conclusão da variante à cidade da Horta e a construção do Estádio Mário Lino, e isto depois de já ter dividido em duas fases as obras do Hospital da Horta e as da nova bacia do Porto da Horta, também por falta de verba.
Mas, a ver pelas notícias divulgadas no final desta semana, aparentemente a crise só é desculpa para o que acontece no Faial, ou noutra das ilhas de baixo (exercício semelhante poderia ser feito para o Pico ou para a Terceira, por exemplo). Porque ao mesmo tempo que diz que não há dinheiro para as obras estruturantes de uma ilha que se vai afundando com dificuldades económicas, mostra que há sempre dinheiro para fazer campanha política.
Sim, porque que outra explicação poderá ter a prioridade assumida pelo Governo de Carlos César ao preferir gastar 12 milhões de euros num Centro de Artes Contemporâneas na Ribeira Grande (município socialista), sobretudo depois da Câmara de Ponta Delgada (município social-democrata) ter investido 3 milhões de euros na criação de um Museu de Arte Contemporânea projectado pelo famoso arquitecto Oscar Niemeyer?
Não me venham dizer que o Centro de Artes Contemporâneas é um investimento fundamental e estruturante para a ilha de São Miguel! Quando muito, é fundamental para abafar a obra da presidente da Câmara de Ponta Delgada, que por acaso também é líder do maior partido da oposição e principal candidata a ocupar o lugar de César nas próximas eleições regionais. Se isto não é campanha, não sei bem o que lhe podemos chamar. Pura coincidência?!?
Mas, a ver pelas notícias divulgadas no final desta semana, aparentemente a crise só é desculpa para o que acontece no Faial, ou noutra das ilhas de baixo (exercício semelhante poderia ser feito para o Pico ou para a Terceira, por exemplo). Porque ao mesmo tempo que diz que não há dinheiro para as obras estruturantes de uma ilha que se vai afundando com dificuldades económicas, mostra que há sempre dinheiro para fazer campanha política.
Sim, porque que outra explicação poderá ter a prioridade assumida pelo Governo de Carlos César ao preferir gastar 12 milhões de euros num Centro de Artes Contemporâneas na Ribeira Grande (município socialista), sobretudo depois da Câmara de Ponta Delgada (município social-democrata) ter investido 3 milhões de euros na criação de um Museu de Arte Contemporânea projectado pelo famoso arquitecto Oscar Niemeyer?
Não me venham dizer que o Centro de Artes Contemporâneas é um investimento fundamental e estruturante para a ilha de São Miguel! Quando muito, é fundamental para abafar a obra da presidente da Câmara de Ponta Delgada, que por acaso também é líder do maior partido da oposição e principal candidata a ocupar o lugar de César nas próximas eleições regionais. Se isto não é campanha, não sei bem o que lhe podemos chamar. Pura coincidência?!?
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Mais uma prova que o mar açoriano é um tesouro infinito
A recente descoberta de uma nova fonte hidrotermal no Faial por cientistas do DOP é só mais uma prova de que o mar açoriano é um tesouro infinito, cujas maravilhas e riquezas podem mudar o rumo da nossa economia, se houver vontade política nesse sentido. Ficasse o DOP em São Miguel, e há muito que o investimento teria aparecido. Pena que o bairrismo eleitoralista continue a impedir que a região seja maior do que tem sido.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Mais um encerramento anunciado para o Faial?
Foi preciso morrer um recluso na Cadeia de Ponta Delgada, para o ministro da Justiça, Alberto Martins, se dignar a vir lançar a primeira pedra do novo Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo, que já tinha sido prometido há 11 anos pelo então titular da pasta Vera Jardim e deveria ter sido inaugurada em 2001.
Ainda assim, o ministro Alberto Martins não teve vergonha de deixar mais uma promessa: a de que as obras de construção do novo Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, ainda sem data agendada para arrancar e sem verba disponível, são uma prioridade. Esperemos que não tenha de morrer mais ninguém para que isso seja, de facto, uma realidade!
Entretanto, e como não há duas sem três, o ministro Alberto Martins lá se foi descaindo e confessando que será "um processo natural" a provável vinda de reclusos de outras ilhas para a Terceira, nomeadamente da Cadeia da Horta. Querem ver que, com jeitinho, está na calha mais um encerramento anunciado para o Faial?
Ainda assim, o ministro Alberto Martins não teve vergonha de deixar mais uma promessa: a de que as obras de construção do novo Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, ainda sem data agendada para arrancar e sem verba disponível, são uma prioridade. Esperemos que não tenha de morrer mais ninguém para que isso seja, de facto, uma realidade!
Entretanto, e como não há duas sem três, o ministro Alberto Martins lá se foi descaindo e confessando que será "um processo natural" a provável vinda de reclusos de outras ilhas para a Terceira, nomeadamente da Cadeia da Horta. Querem ver que, com jeitinho, está na calha mais um encerramento anunciado para o Faial?
terça-feira, 20 de julho de 2010
O despudor da Defesa e a falta de vergonha do Governo regional
O desfecho já era esperado, mas ainda assim é com enorme tristeza que vejo consumado o encerramento da Estação Radionaval da Horta. E à tristeza de ver sair do Faial um marco histórico e ponto fulcral no desenvolvimento económico da ilha, acrescento ainda a minha perplexidade perante as afirmações despudoradas do Ministério da Defesa e do Governo Regional dos Açores recentemente proferidas a este respeito.
Do primeiro, por ter respondido aos deputados do PSD-Açores na Assembleia da República que a mudança se devia a questões técnicas, quando é assumido pelos especialistas - incluindo um estudo do próprio Instituto Hidrográfico da Marinha - que não havia qualquer razão técnica que aconselhasse tal mudança. Do segundo, por ter descartado qualquer responsabilidade na transferência da Radionaval da Horta para São Miguel, quando é público que esta foi uma decisão meramente política, desde a primeira hora incentivada e acarinhada pelo executivo regional socialista, sempre ansioso por sugar as coisas boas da região para mais perto da sua sede.
Sabemos que o mal já está feito e não se pode voltar atrás, mas as responsabilidades têm de ser assumidas por quem de direito. Não se podem admitir mentiras ou falsas desculpas vindas do Ministério da Defesa e muito menos do Governo Regional dos Açores, a quem cabe a responsabilidade de proteger as ilhas que governa de quaisquer abusos e desmandos, sejam eles vindos da República ou da vizinhança açórica.
Do primeiro, por ter respondido aos deputados do PSD-Açores na Assembleia da República que a mudança se devia a questões técnicas, quando é assumido pelos especialistas - incluindo um estudo do próprio Instituto Hidrográfico da Marinha - que não havia qualquer razão técnica que aconselhasse tal mudança. Do segundo, por ter descartado qualquer responsabilidade na transferência da Radionaval da Horta para São Miguel, quando é público que esta foi uma decisão meramente política, desde a primeira hora incentivada e acarinhada pelo executivo regional socialista, sempre ansioso por sugar as coisas boas da região para mais perto da sua sede.
Sabemos que o mal já está feito e não se pode voltar atrás, mas as responsabilidades têm de ser assumidas por quem de direito. Não se podem admitir mentiras ou falsas desculpas vindas do Ministério da Defesa e muito menos do Governo Regional dos Açores, a quem cabe a responsabilidade de proteger as ilhas que governa de quaisquer abusos e desmandos, sejam eles vindos da República ou da vizinhança açórica.
sábado, 17 de julho de 2010
Vidas que são

São forças poderosas
as que movem as vontades,
e o corpo que se quebra
não tem noção das vaidades.
As dores que o peito carrega
não são amarras eternas,
mas têm o poder de parecer
caminho cheio de refregas.
Os homens são o que sentem
e sentem as vidas que são,
mesmo que muitas vezes
não ouçam o seu coração.
Lídia Bulcão
Imagem retirada de: http://apoiofraterno.spaceblog.com.br
as que movem as vontades,
e o corpo que se quebra
não tem noção das vaidades.
As dores que o peito carrega
não são amarras eternas,
mas têm o poder de parecer
caminho cheio de refregas.
Os homens são o que sentem
e sentem as vidas que são,
mesmo que muitas vezes
não ouçam o seu coração.
Lídia Bulcão
Imagem retirada de: http://apoiofraterno.spaceblog.com.br
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Um dia que não terminou

(Foto: LBulcão)
Ontem, o meu silêncio foi o mar.
Batido e remexido,
mas não revolto nem zangado.
Ontem, a minha paz foi o aroma dos sonhos
e o sabor das pedras negras
que inalei inadvertidamente.
Ontem, o meu caminho foi um rumo solto,
feito de escarpas naturais
e terras encantadas.
Ontem, o meu desejo esfumou-se,
entre sentidos aspirados
e memórias lavradas na pedra.
Ontem, foi um dia que não terminou.
Fecho os olhos por momentos
e ouço o bravio a chamar por mim.
Batido e remexido,
mas não revolto nem zangado.
Ontem, a minha paz foi o aroma dos sonhos
e o sabor das pedras negras
que inalei inadvertidamente.
Ontem, o meu caminho foi um rumo solto,
feito de escarpas naturais
e terras encantadas.
Ontem, o meu desejo esfumou-se,
entre sentidos aspirados
e memórias lavradas na pedra.
Ontem, foi um dia que não terminou.
Fecho os olhos por momentos
e ouço o bravio a chamar por mim.
Lídia Bulcão
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Basta um instante para ficar preso na ilha
"porque desta ilha, meus senhores ninguém sai, ninguém sai..."
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