Hoje vou saltar à fogueira na imaginação da noite. Vou ganhar balanço para enfrentar as labaredas inocentes e ultrapassar as brasas que não se vêem. Vou respirar fundo e acreditar que sou capaz de ir mais longe do que o vento. Vou deixar-me levar pelo cheiro da linguiça assada e pelo sabor da angelica matreira. Vou querer ser empurrada no meio de gritos infantis e brincadeiras que já não existem. Vou ouvir esse bandolim de cordas rebentadas e sentir os pés bailar como se o tempo renascesse. Hoje, vou correr para as chamas da memória e abraçar todos aqueles que um dia deram as mãos naquela rua cheia de histórias. Para que a escuridão não consuma esse lugar sagrado, onde antes ardia o fogo dos laços forjados a sangue.
Foto retirada de: http://marianadias.files.wordpress.com/2008/07/fogueira_6.png


