quinta-feira, 17 de junho de 2010

Governo regional entrou em época de saldos

As declarações do PS-Açores vieram confirmar as minhas suspeitas: Carlos César só queria mesmo era abafar a reivindicação de Berta Cabral, que no último Congresso Nacional do PSD reclamara sobre o preço das passagens para os Açores. A líder do PSD-Açores foi ovacionada em directo por um pavilhão inteiro e o Presidente do Governo Regional dos Açores não quis ficar atrás.

Uma semana depois, foi ao Congresso dos socialistas açorianos anunciar, com toda a pompa e circunstância, que os açorianos iam passar a ter passagens a 100 euros. As gentes rejubilaram perante tão inesperada benesse, mas estranharam e ficaram desconfiadas... Já, então, a promessa de Carlos César soava ao que agora o seu próprio filho vem provar ser verdade: era apenas uma mão cheia de "soudbytes" para a TV e outra vazia de coisa alguma.

Passagens áreas a 100 euros para os Açores? Só as promocionais! Está visto que este Governo Regional já entrou em época de saldos: vale tudo para vender o seu peixe podre!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O regresso das Levadas faialenses e o novo trilho dos 10 Vulcões

Trilho danificado das Levadas, em Agosto de 2008 (Foto: LBulcão)

Doze anos depois do sismo de 1998 ter danificado o percurso das Levadas faialenses, eis que elas estão de volta, recuperadas e melhoradas (espera-se) pela Secretaria do Ambiente e do Mar, que ali investiu 40 mil euros e criou nove estações interpretativas, para ajudar o caminhante a melhor compreender toda a envolvente.

Capelinhos vistos do trilho do Cabeço Verde (Foto: LBulcão)

Este regresso das Levadas está incluído na inauguração do Trilho dos 10 Vulcões, que a partir de 24 de Junho passará a ser o maior percurso pedestre dos Açores. São 27 km de extensão e nove horas de caminhada no Parque Natural do Faial, que incluem os trilhos da Caldeira, das Levadas, de Capelo-Capelinhos e do Vulcão dos Capelinhos. Um exercício poderoso, perfeito para quem, como eu, acredita que a paisagem pode lavar a alma.

Porque os iatistas não são manipuláveis

(Crédito da foto: Roland Marques)

«O Governo Regional errou quando pensou que os iatistas seriam manipuláveis,
e que acabariam por aportar onde houvesse lugares vazios, com taxas mais baixas,
com combustível mais baratos..., e até com reedições do Peter Café Sport.
O Governo errou, porque quem atravessa o Atlântico, não depende de subsídios ou de empregos...
Quem atravessa o Atlântico Norte é livre como as gaivotas, e o vento trá-los inevitavelmente
à marina da Horta, direitinhos ao original, ao autêntico e genuíno Peter.»

Paulo Oliveira, in Tribuna das Ilhas, de 11/06/2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

É tempo de parar de virar a cara!

António Barreto pôs o dedo na ferida, ainda não cicatrizada, que Portugal teima em esconder. E tem toda a razão. É tempo do País parar de virar a cara aos farrapos do Ultramar e de fazer de conta que não aconteceu. Em homenagem a todos os ex-combatentes que continuam a lutar para ser reconhecidos e, em particular, ao meu pai, também eu assumo aqui as minhas feridas. Na esperança de que quem me leia consiga um dia assumir as suas.

FILHA DE UM ATIRADOR

Sou filha de um atirador.
Filha de um homem que matou
mais do que consigo imaginar.

Sou filha de um atirador.
Enlouquecido pela dor que explodiu nele,
depois de ter explodido sobre os outros.

Sou filha de um atirador.
Filha de um homem amargurado,
estragado pela guerra, desvirtuado pela paz,
quebrado pela vida que não conseguiu ter.

Sou filha de um atirador.
Escrevo-o sem saber o que digo,
sem poder contar as vidas que tirou,
nem as circunstâncias em que o fez.

Sou filha de um atirador.
Por mais que o escreva, não o sinto.
Não o vi apontar, não o vi atirar,
não vi nenhum corpo cair,
nem sequer o sangue amanhecer.

Sou filha de um atirador.
E tal como o resto do País,
fecho os olhos, viro a cara,
e faço de conta que não aconteceu.

Lídia Bulcão

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"Depois" de António Manuel Couto Viana

Em memória de António Manuel Couto Viana, liberto aqui a sua poesia.

Depois

Quando morrer não envelheço mais.
Vou ficar tal qual sou
Na partida do cais,
Na asa aberta ao derradeiro voo.

Vou, já podre o fruto
Do pomar que eu era.
Não quero luto:
Volto na Primavera.

Irei, então, recomeçar
Uma existência secreta,
Com os olhos no mar
E a saudade no poeta.

E na tragédia do solitário
Que de si próprio se escondia
Tirar-lhe o esqueleto do armário
E libertar-lhe a poesia.

António Manuel Couto Viana, in "Restos de Quase Nada e Outras Poesias"

terça-feira, 8 de junho de 2010

O regresso de Alfred Lewis a casa

“Não é comum encontrarmos um romance que se lê como um poema.
O mundo já quase se esqueceu de ler livros como este. É bom que haja
escritores que ainda não se tenham esquecido de os escrever.”

Patricia Highsmith
Depois do sucesso nos Estados Unidos, a obra maior do escritor e poeta açoriano Alfred Lewis, "Home is as Island" (1951), regressa finalmente a casa. O livro foi traduzido para português por Rui Zink, sob o título "Minha Ilha, Minha Casa", e vai agora ser apresentado nos Açores. O périplo arranca dia 12 de Junho na ilha das Flores, terra natal do autor, passa por Angra do Heroísmo no dia 14, Ponta Delgada no dia 15 e acaba em São Jorge a 19 de Junho. Para todos os que fazem da ilha a sua casa.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Está hora de ir olhar para as estrelas!


7, 8 e 10 Junho
22h00 - Sessões de observação nocturna no Monte da Guia
9 de Junho
21h00 - Palestra “O ciclo de vida das estrelas”, por Carlos Santos, no auditório
do Teatro Faialense seguida de observação nocturna no Monte da Guia
10 de Junho
16h00 - Observação do Sol no Largo do Infante

domingo, 6 de junho de 2010

A lição que os BANDARRA nos dão

O primeiro álbum dos Bandarra está na rua. Depois do sucesso na festa do Avante em 2009, o lançamento em CD era uma questão de tempo. Aconteceu ontem, na sede da União Faialense, na Horta, e só vem provar que a ilha não tem de ser uma prisão para o talento. Pelo contrário, pode ser o princípio de um imenso mundo de aventuras, onde o sucesso não é mais do que um caminho recheado de talento, vontade, amizade e muito prazer naquilo que se faz. Esta é a verdadeira lição que os Bandarra nos dão.
Foto: retirada de http://www.bandarra.info/

Porque a qualidade da produção local vale por si

Boas razões para "desencravar" o turismo no Triângulo

Jorge Macedo, in "Triângulo": ilhas de paixões», Açoriano Oriental, 4/6/2010
Pedro Gomes, in Mergulho no Triângulo, Açoriano Oriental, 4/6/2010