segunda-feira, 14 de junho de 2010

Porque os iatistas não são manipuláveis

(Crédito da foto: Roland Marques)

«O Governo Regional errou quando pensou que os iatistas seriam manipuláveis,
e que acabariam por aportar onde houvesse lugares vazios, com taxas mais baixas,
com combustível mais baratos..., e até com reedições do Peter Café Sport.
O Governo errou, porque quem atravessa o Atlântico, não depende de subsídios ou de empregos...
Quem atravessa o Atlântico Norte é livre como as gaivotas, e o vento trá-los inevitavelmente
à marina da Horta, direitinhos ao original, ao autêntico e genuíno Peter.»

Paulo Oliveira, in Tribuna das Ilhas, de 11/06/2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

É tempo de parar de virar a cara!

António Barreto pôs o dedo na ferida, ainda não cicatrizada, que Portugal teima em esconder. E tem toda a razão. É tempo do País parar de virar a cara aos farrapos do Ultramar e de fazer de conta que não aconteceu. Em homenagem a todos os ex-combatentes que continuam a lutar para ser reconhecidos e, em particular, ao meu pai, também eu assumo aqui as minhas feridas. Na esperança de que quem me leia consiga um dia assumir as suas.

FILHA DE UM ATIRADOR

Sou filha de um atirador.
Filha de um homem que matou
mais do que consigo imaginar.

Sou filha de um atirador.
Enlouquecido pela dor que explodiu nele,
depois de ter explodido sobre os outros.

Sou filha de um atirador.
Filha de um homem amargurado,
estragado pela guerra, desvirtuado pela paz,
quebrado pela vida que não conseguiu ter.

Sou filha de um atirador.
Escrevo-o sem saber o que digo,
sem poder contar as vidas que tirou,
nem as circunstâncias em que o fez.

Sou filha de um atirador.
Por mais que o escreva, não o sinto.
Não o vi apontar, não o vi atirar,
não vi nenhum corpo cair,
nem sequer o sangue amanhecer.

Sou filha de um atirador.
E tal como o resto do País,
fecho os olhos, viro a cara,
e faço de conta que não aconteceu.

Lídia Bulcão

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"Depois" de António Manuel Couto Viana

Em memória de António Manuel Couto Viana, liberto aqui a sua poesia.

Depois

Quando morrer não envelheço mais.
Vou ficar tal qual sou
Na partida do cais,
Na asa aberta ao derradeiro voo.

Vou, já podre o fruto
Do pomar que eu era.
Não quero luto:
Volto na Primavera.

Irei, então, recomeçar
Uma existência secreta,
Com os olhos no mar
E a saudade no poeta.

E na tragédia do solitário
Que de si próprio se escondia
Tirar-lhe o esqueleto do armário
E libertar-lhe a poesia.

António Manuel Couto Viana, in "Restos de Quase Nada e Outras Poesias"

terça-feira, 8 de junho de 2010

O regresso de Alfred Lewis a casa

“Não é comum encontrarmos um romance que se lê como um poema.
O mundo já quase se esqueceu de ler livros como este. É bom que haja
escritores que ainda não se tenham esquecido de os escrever.”

Patricia Highsmith
Depois do sucesso nos Estados Unidos, a obra maior do escritor e poeta açoriano Alfred Lewis, "Home is as Island" (1951), regressa finalmente a casa. O livro foi traduzido para português por Rui Zink, sob o título "Minha Ilha, Minha Casa", e vai agora ser apresentado nos Açores. O périplo arranca dia 12 de Junho na ilha das Flores, terra natal do autor, passa por Angra do Heroísmo no dia 14, Ponta Delgada no dia 15 e acaba em São Jorge a 19 de Junho. Para todos os que fazem da ilha a sua casa.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Está hora de ir olhar para as estrelas!


7, 8 e 10 Junho
22h00 - Sessões de observação nocturna no Monte da Guia
9 de Junho
21h00 - Palestra “O ciclo de vida das estrelas”, por Carlos Santos, no auditório
do Teatro Faialense seguida de observação nocturna no Monte da Guia
10 de Junho
16h00 - Observação do Sol no Largo do Infante

domingo, 6 de junho de 2010

A lição que os BANDARRA nos dão

O primeiro álbum dos Bandarra está na rua. Depois do sucesso na festa do Avante em 2009, o lançamento em CD era uma questão de tempo. Aconteceu ontem, na sede da União Faialense, na Horta, e só vem provar que a ilha não tem de ser uma prisão para o talento. Pelo contrário, pode ser o princípio de um imenso mundo de aventuras, onde o sucesso não é mais do que um caminho recheado de talento, vontade, amizade e muito prazer naquilo que se faz. Esta é a verdadeira lição que os Bandarra nos dão.
Foto: retirada de http://www.bandarra.info/

Porque a qualidade da produção local vale por si

Boas razões para "desencravar" o turismo no Triângulo

Jorge Macedo, in "Triângulo": ilhas de paixões», Açoriano Oriental, 4/6/2010
Pedro Gomes, in Mergulho no Triângulo, Açoriano Oriental, 4/6/2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Parabéns ao repouso do meu coração!


Sou feita de água salgada
e pedras de maresia,
mas no peito corre-me um rio
de magma e poesia.

Sinto a pele tisnada pelo sol
e os lábios cederem ao vento,
mas não hesito um segundo
em navegar debaixo do tempo.

Se o calor brilha no alto,
o corpo entrega-se ao trilho,
e sinto as ondas frescas do ar
quebrarem sem qualquer estrilho.

Mas se a tempestade navega
sem rumo ou direcção,
tenho em ti a melhor espera
e o repouso para o coração.

Lídia Bulcão

Foto: LBulcão

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Venha Arriaga, que mais vale tarde do que nunca!


Finalmente foi adjudicada a futura Casa de Manuel de Arriaga, na cidade da Horta. A informação divulgada hoje pelo Governo Regional dos Açores confirma que a obra já não vai a tempo de integrar as comemorações do Centenário da República como estava incialmente previsto, e para grande vergonha da região onde nasceu o primeiro Presidente da República Portuguesa. Para já, o projecto foi orçamentado para 2010 e 2011, devendo ficar concluído daqui a 240 dias, ou seja, lá para Fevereiro de 2011, se não houver novos atrasos ou reorçamentações... Mas tendo em conta que o muito prometido Estádio Mário Lino já ardeu (não se iludam, que a crise aqui começou há muito mais de dez anos...), e olhando para os outros grandes atrasos a que todos os projectos previstos para o Faial parecem estar condenados, é caso para dizer que mais vale tarde do que nunca!!!
Crédito da Foto: LBulcão