quarta-feira, 9 de junho de 2010

"Depois" de António Manuel Couto Viana

Em memória de António Manuel Couto Viana, liberto aqui a sua poesia.

Depois

Quando morrer não envelheço mais.
Vou ficar tal qual sou
Na partida do cais,
Na asa aberta ao derradeiro voo.

Vou, já podre o fruto
Do pomar que eu era.
Não quero luto:
Volto na Primavera.

Irei, então, recomeçar
Uma existência secreta,
Com os olhos no mar
E a saudade no poeta.

E na tragédia do solitário
Que de si próprio se escondia
Tirar-lhe o esqueleto do armário
E libertar-lhe a poesia.

António Manuel Couto Viana, in "Restos de Quase Nada e Outras Poesias"

terça-feira, 8 de junho de 2010

O regresso de Alfred Lewis a casa

“Não é comum encontrarmos um romance que se lê como um poema.
O mundo já quase se esqueceu de ler livros como este. É bom que haja
escritores que ainda não se tenham esquecido de os escrever.”

Patricia Highsmith
Depois do sucesso nos Estados Unidos, a obra maior do escritor e poeta açoriano Alfred Lewis, "Home is as Island" (1951), regressa finalmente a casa. O livro foi traduzido para português por Rui Zink, sob o título "Minha Ilha, Minha Casa", e vai agora ser apresentado nos Açores. O périplo arranca dia 12 de Junho na ilha das Flores, terra natal do autor, passa por Angra do Heroísmo no dia 14, Ponta Delgada no dia 15 e acaba em São Jorge a 19 de Junho. Para todos os que fazem da ilha a sua casa.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Está hora de ir olhar para as estrelas!


7, 8 e 10 Junho
22h00 - Sessões de observação nocturna no Monte da Guia
9 de Junho
21h00 - Palestra “O ciclo de vida das estrelas”, por Carlos Santos, no auditório
do Teatro Faialense seguida de observação nocturna no Monte da Guia
10 de Junho
16h00 - Observação do Sol no Largo do Infante

domingo, 6 de junho de 2010

A lição que os BANDARRA nos dão

O primeiro álbum dos Bandarra está na rua. Depois do sucesso na festa do Avante em 2009, o lançamento em CD era uma questão de tempo. Aconteceu ontem, na sede da União Faialense, na Horta, e só vem provar que a ilha não tem de ser uma prisão para o talento. Pelo contrário, pode ser o princípio de um imenso mundo de aventuras, onde o sucesso não é mais do que um caminho recheado de talento, vontade, amizade e muito prazer naquilo que se faz. Esta é a verdadeira lição que os Bandarra nos dão.
Foto: retirada de http://www.bandarra.info/

Porque a qualidade da produção local vale por si

Boas razões para "desencravar" o turismo no Triângulo

Jorge Macedo, in "Triângulo": ilhas de paixões», Açoriano Oriental, 4/6/2010
Pedro Gomes, in Mergulho no Triângulo, Açoriano Oriental, 4/6/2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Parabéns ao repouso do meu coração!


Sou feita de água salgada
e pedras de maresia,
mas no peito corre-me um rio
de magma e poesia.

Sinto a pele tisnada pelo sol
e os lábios cederem ao vento,
mas não hesito um segundo
em navegar debaixo do tempo.

Se o calor brilha no alto,
o corpo entrega-se ao trilho,
e sinto as ondas frescas do ar
quebrarem sem qualquer estrilho.

Mas se a tempestade navega
sem rumo ou direcção,
tenho em ti a melhor espera
e o repouso para o coração.

Lídia Bulcão

Foto: LBulcão

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Venha Arriaga, que mais vale tarde do que nunca!


Finalmente foi adjudicada a futura Casa de Manuel de Arriaga, na cidade da Horta. A informação divulgada hoje pelo Governo Regional dos Açores confirma que a obra já não vai a tempo de integrar as comemorações do Centenário da República como estava incialmente previsto, e para grande vergonha da região onde nasceu o primeiro Presidente da República Portuguesa. Para já, o projecto foi orçamentado para 2010 e 2011, devendo ficar concluído daqui a 240 dias, ou seja, lá para Fevereiro de 2011, se não houver novos atrasos ou reorçamentações... Mas tendo em conta que o muito prometido Estádio Mário Lino já ardeu (não se iludam, que a crise aqui começou há muito mais de dez anos...), e olhando para os outros grandes atrasos a que todos os projectos previstos para o Faial parecem estar condenados, é caso para dizer que mais vale tarde do que nunca!!!
Crédito da Foto: LBulcão

terça-feira, 1 de junho de 2010

A luta contra o centralismo tem de começar cá dentro

Falar do centralismo dos outros é fácil. Sobretudo em dia de festa, quando o povo está anestesiado com boa comida e muito vinho. Mas não é por isso que vamos fechar os olhos ao caminho que o nosso Governo Regional escolheu percorrer, esmagando os mais pequenos sem qualquer peso na consciência, como está acontecer com a história do encerramento da Radionaval da Horta. Levar esta Estação para São Miguel e deixar em troca postos de grande tecnologia e quase nenhuma gente não vai tapar o buraco criado na economia do Faial, por mais que alguns nos tentem convencer do contrário. Estou farta de ver os interesses de uns e outros dominarem aquilo que devia ser o interesse de todos. Não foi esta a autonomia que os nossos pais desejaram, nem a que queremos deixar aos nossos filhos. A luta em prol da sobrevivência das ilhas mais pequenas tem de ser um projecto de toda a região e de todas as forças políticas, da esquerda à direita, sob pena de passarmos a ser um arquipélago vazio de coesão, constituído por uma ilha plenamente realizada e outros oito pedaços de quase nada, todos espalhados num imenso mar de desilusão.

Será que não aprendemos nada com a Madeira?

Foto: Faial Digital

O Faial está novamente debaixo da fúria da Natureza. Quando não são os sismos, é a chuva, que cai na ilha há mais de 24 horas e já começou a tomar proporções perigosas, segundo a notícia divulgada pelo portal Faial Digital. Sabemos que quando a Natureza se enfurece, não há nada que lhe resista. Mas a incúria na limpeza e manutenção das estradas, muros, grotas e ribeiras de toda a ilha não é culpa da Natureza. Será que não aprendemos nada com o que aconteceu na Madeira?