
que passam pelos poros (ouvi isto num lado qualquer ou li numa revista qualquer).
E não importa a forma como acabe. Todas as maneiras são boas.»
José Luís Peixoto, "Legalize Airlines", in Hoje Não
Coisa estranha esta de ser ilhéu. Pedaço de alma rodeado de lava por todos os lados. Ou será rodeado de... poesia?


O encerramento da Estação Radionaval da Horta foi esta semana finalmente assumido por quem de direito, para grande indignação de todos os que lutaram activamente contra ele, bolo em que me incluo, já que durante a última campanha para as Legislativas alertei publicamente para o risco que a economia faialense corria se este encerramento se confirmasse sem alternativas que compensassem a retirada da ilha.
Os representantes socialistas na República fizeram de conta que o assunto não era com eles e a verdade é que durante todos estes anos as autoridades locais nada fizeram para impedir ou atenuar a decisão da Marinha, tomada com o beneplácito e incentivo do Governo Regional dos Açores. Agora, a decisão assumida representa mais um tiro de canhão na economia faialense, que vive um dos momentos mais conturbados dos últimos tempos e tende a enterrar-se de uma forma vertiginosa.
Depois da COFACO e da CALF, muita coisa havia ainda para dizer. Mas há palavras absurdas, que não se podem permitir a um presidente de Câmara com responsabilidades: um político que se assume conformado é um político que já se devia ter arrumado. E há que dizê-lo sem medo. Porque o medo de defender o que é nosso está a corroer as entranhas da ilha e o coração do desenvolvimento local. Amanhã já é tarde demais.
Crédito da foto: Mário Leal
Crédito da Foto: Mário Leal