segunda-feira, 12 de abril de 2010

Passos Coelho significa já melhores ventos para os Açores


A revisão constitucional proposta por Pedro Passos Coelho é sinal de melhores ventos a caminho do arquipélago dos Açores, canalizados pelo manifesto desejo de um maior aprofundamento das autonomias regionais e do reforço da lei das finanças regionais.

Apesar do líder parlamentar do PS na AR, Francisco Assis, ter desvalorizado ontem a proposta do novo líder do PSD, o vice-presidente da mesma bancada, Ricardo Rodrigues, tinha defendido aqui, há apenas seis meses, a sua evidente necessidade. Esperemos, portanto, que o deputado açoriano não mude de ideias só porque o projecto passou a ser social-democrata e a contar com a participação directa da liderança do PSD-Açores.

Para já, uma nota extremamente positiva para a região. Um dos seis responsáveis pelo projecto de revisão da Constituição vai ser o social-democrata açoriano, Pedro Gomes, deputado do PSD-Açores na ALRA, que integra o grupo de trabalho nacional constituído por nomes sonantes como Paulo Teixeira Pinto, Calvão da Silva, Jorge Bacelar Gouveia, Leite Campos e Manuel Meirinho.

Depois disto e terminado o Congresso Nacional, a líder do PSD-Açores só tem razões para sorrir: integra a Comissão Política de Pedro Passos Coelho; garantiu a sua influência neste novo PSD com a colocação de Humberto Melo, José Manuel Bolieiro, Clélio Menezes e Cláudio Almeida como conselheiros nacionais; e, como se não bastasse, teve o privilégio de ser a protagonista da primeira reunião oficial do candidato a Primeiro-ministro. Em apenas 24 horas, não é pouca coisa!
Crédito da foto: PSD-Açores

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"A ilha dentro de mim" foi citada no "Faial Digital"

A chamada de atenção feita aqui neste blogue sobre o desaparecimento de mais de 600 produtores de leite do Faial ao longo dos últimos vinte anos, pondo em causa a indústria de lactícios da ilha, teve eco no site Faial Digital, que nos cita nesta notícia. Está enterrada, portanto, a acusação de plágio por mim aqui levantada. Foi apenas a um lamentável engano técnico, entretanto já devidamente corrigido pelos responsáveis do FD.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Uma Santa Páscoa!


Porque os dias não estão para brincadeira e a quadra é de reflexão,
porque o trabalho nunca tem fim e o tempo foge por entre os dedos,
porque o descanso faz bem à alma e a família aquece o coração,
desejo a todos os que por aqui passarem nestes dias:


Uma SANTA PÁSCOA!



quarta-feira, 31 de março de 2010

Está quase na hora da CALF ir apanhar o barco...

A partir de hoje haverá menos 178 produtores de leite nos Açores, o que equivale ao resgate de quase 10 milhões de litros de quota e a uma compensação de 4 milhões de euros pagos pelo Governo. Sabemos que a quota agora resgatada vai para a reserva nacional, para depois ser redistribuída na região, de preferência na ilha onde foi gerada. Tudo muito certo e bonitinho, como dizem as notícias, não fossem os pormenores da indústria local e as circunstâncias particulares de cada ilha.

Vejamos o caso do Faial, uma ilha que há muito se debate com a falta de leite e que agora vai perder mais 20 produtores locais. Dos mais de 800 produtores que a ilha tinha em 1990, sobram apenas 150. Mas não se pense que a sua produção aumentou, fruto da redistribuição da quota resgatada. Pelo contrário, entre as ilhas produtoras de leite, o Faial é a única que não aumentou a sua produção desde a introdução das quotas leiteiras.

Há muito que se grita aos sete ventos a necessidade de aumentar a produção local, sobe pena de estrangulamento da sua indústria, mas os gritos têm caído em saco roto. Apesar do queijo Ilha Azul ter fama e qualidade reconhecida fora de portas, sem leite não há forma de haver retorno para o muito dinheiro investido na modernização das suas instalações.

A CALF segue numa crise sem fim à vista. Trocou-se o leite pela carne sem pensar nas consequências. E os 150 pequenos produtores que restam não chegam para satisfazer as necessidades da fábrica de lactícinios local, que precisa de 14 milhões de litros por ano para ser rentável. Do outro lado do canal, a situação não está melhor. Também o leite foi cedendo o seu lugar à carne, sem que a reconversão da agricultura tivesse sido feita de forma integrada. O leite quando falta, parece que é para todos.

E agora, pergunta o leitor, como vai o Faial sair desta? É fácil: fecha-se a CALF e manda-se os empregados de barco para outra ilha. Até às fábricas da Terceira ou São Miguel a viagem decerto não custa nada...

domingo, 28 de março de 2010

Com os olhos postos no amanhã do "Expresso das Nove"

Que melhor maneira de celebrar a maturidade de duas décadas que lançar as bases para um futuro melhor? Os vinte anos do Expresso das Nove deixam no ar os Desafios dos Açores para o Século XXI, uma edição especial com textos de 100 açorianos com os olhos postos no amanhã. De todos os quadrantes e sensibilidades, de diferentes saberes e experiências. Para ler com calma, saboreando os vários olhares e reflectindo sobre os diferentes caminhos propostos. Um exercício que todos devíamos parar para fazer.

Bons pontos de partida:

«Os Açores precisam de mais paixão e menos devoção por si mesmos.
Isto é, amar o que têm não como quem se ajoelha diante duma estátua imutável,
mas como quem quer fazer-lhe um filho. E criar novidade, revolução, futuro.
Outras vidas, outras gentes, outros destinos. Independentes.»
- Alexandre Borges

«Um desafio para os açorianos no século XXI?
Serem capazes de viver sem o paternalismo do Estado
– e, aliás, de ganhar eleições sem ele também.»
- Joel Neto

«Somos pequenos e poucos. Não podemos desperdiçar nada nem ninguém.»
- Sidónio Bettencourt

Triiiiim! Acorda pá, o futuro já começou. Hein???!
- José Medeiros

segunda-feira, 22 de março de 2010

Será que não aprendemos nada com os nossos avós?


A propósito do repto lançado pela associação ecológica Amigos dos Açores para recuperação do uso das cisternas açorianas, dei por mim a perguntar-me porque insistimos em ignorar algumas tradições e rejeitar os ensinamentos do passado, quase sempre sensatos e mais visionários do que então poderíamos supor. Desde a compostagem, que recupera a velha ciência dos estrumes, à recliclagem, que aproveita o que no passado se reutilizava até à exaustão, os saberes de ontem têm sido reinventados e modernizados, congregando à sua volta seguidores de uma causa maior, que é também de todos nós. Mas cuidar deste mundo que é nosso não pode ser tarefa só de alguns, nem moda que em breve irá passar. Neste dia Mundial da Água, um bem abundante para poucos e cada vez mais escasso para muitos, evoco aqui a imagem de uma cisterna de família e deixo no ar a pergunta: será que não aprendemos nada com os nossos avós?
Foto: LBulcão

domingo, 21 de março de 2010

Por detrás dos poemas

Poemas são dedos lisos,
sem rugas nem escaras marcadas,
são ritmos de outras vidas,
sem a dor das cargas pesadas.

Poemas são linhas tranquilas,
carregadas de paixão,
mas ocas de vida eterna
e ligeiras na sedução.

Poemas são versos pensados
para dizer o que não disseram,
pedaços de sentimentos
que alguns ainda carregam.

Lídia Bulcão