sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dois anos nesta ilha

O tempo escorre-nos por entre os dedos, mas o calendário não perdoa. Foi já há dois anos que nasceu A ilha dentro de mim, um pouco escondida dos amigos e de olhares cibernéticos mais indiscretos. Começou por ser um espaço para limpar a alma, então dormente por uma perda sentida e bastante enfraquecida na distância. Depois, o meu mundo foi mudando e este blogue com ele.
As responsabilidades profissionais arrastaram-me numa vida louca e sem intervalos, que colocou este espaço quase em banho-maria durante o seu primeiro ano. Houve apenas lugar para uns enxertos sentidos, embora muito esporádicos. Depois, veio o Verão de 2008, altura em que decidi agarrar a vida com as duas mãos e recuperar a sanidade profissional (para não perder a mental). Voltei a ter uma vida de gente e dei um novo rumo a este espaço, que começou a ganhar algum movimento.
Entretanto, o fim do Gado Bravo - onde desde 2004 ruminava ideias sobre o lado menos poético da vida - começou a deixar a minha veia de cidadania entupida. Tão entupida que o inevitável aconteceu: a prosa de intervenção irrompeu aqui também, fazendo com que esta ilha virtual fosse «tudo menos um lugar estanque».
Dois anos depois, as primeiras palavras que aqui postei continuam a fazer todo o sentido. «Mais do que um cais de partida para aventuras insensatas, ou um porto de abrigo para as tempestades irrequietas, a minha ilha é o lugar onde consigo ver para além do horizonte.»

A 19 de Junho de 2007 dava à luz este ilhéu


ILHÉU

Pedaço de vida perdido no horizonte,
entre o cá da memória e o lá da imaginação.
Pedaço de maré indo e voltando,
ao som das algas e dos remoinhos de areia.
Pedaço de ilha ausente dos mapas,
feito rota perdida sem cumprir seu destino.
Lídia Bulcão
(Foto: LBulcão)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Quem devolve a vida ao jardim Florêncio Terra?



O jardim Florêncio Terra continua quase esquecido pelos faialenses, tal como o escritor que lhe deu o nome. Até aqui, as sucessivas construções e obras em seu redor nada lhe trouxeram de bom. Conseguirá a instalação da nova sede do DOP, ali mesmo ao lado, trazer-lhe a vida que o poder local nunca conseguiu? E as obras do escritor, quem as recupera?
Crédito da Fotos: MRosa e RRodrigues

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Renato Leal - Promoção ou despromoção?

O faialense Renato Leal é o cabeça-de-lista escolhido pelo PS para o círculo fora da Europa nas próximas eleições legislativas nacionais. As notícias, aqui e aqui, dizem que o deputado - eleito à Assembleia da República pelo Círculo dos Açores e actual coordenador dos deputados socialistas na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades do Parlamento nacional - encara esta escolha "como um desafio", visto que o PS não conseguiu eleger nenhum deputado neste círculo da emigração nas últimas eleições. A mim, a escolha deixou-me na dúvida. Será uma promoção ou despromoção?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O eterno azul dos Açores na TV alemã


O canal alemão de televisão ARD vai emitir esta noite um documentário sobre os Açores. "Die Azoren – Paradies im ewigen Blau" é o título original do filme, que pretende mostrar o paraíso no eterno azul das ilhas. O alerta chegou-me via Ematejoca Azul e mereco eco, porque afinal a grande Alemanha é tão só um dos maiores exportadores mundiais de turistas. Uma nota para o "nosso" Norberto Serpa, que será um dos mergulhadores a bordo do pequeno ecrã. Quem não tiver acesso ao canal alemão, pode descobrir mais aqui. Em alemão, obviamente.
Crédito da Foto: RTV/ARD

O GACS e as más práticas jornalísticas nos Açores - II

Perante os comentários ao post anterior, parece-me claro que o uso e abuso do GACS nos jornais açorianos não deixa ninguém indiferente. Não me interessa aqui defender aquele gabinete governamental, nem tão pouco acusá-lo de todos os males da imprensa açoriana. Só acho que a culpa do mau jornalismo não pode ser só das pressões políticas e económicas, que existem desde tempos imemoriais, sobretudo em terras pequenas como as nossas ilhas.
Senti muito bem essas pressões na pele, vindas tanto do exterior como do interior do órgão de comunicação social que co-dirigi, e sei que é possível contorná-las e sobreviver-lhes, sem perder o profissionalismo e a independência. Pode dar mais trabalho e consumir muito mais tempo e energia, mas a certeza de estar no caminho certo também compensa.
Ninguém disse que fazer jornalismo regional era fácil. Mais do que saber contar histórias ou segurar o microfone, é preciso ter jogo de cintura para enfrentar o poder local ou a fúria dos vizinhos. É preciso ser capaz de distinguir a reunião com o autarca do almoço com o amigo. É preciso ser capaz de não ceder às tentações, que são tão rápidas a aparecer como a multiplicar-se. E é preciso ser capaz de perceber quando é tempo de entregar a carteira profissional e mudar de profissão.
É pena que a maioria dos jornalistas, editores e directores dos órgãos de comunicação social açorianos não pense assim, desmotivando ainda mais os seus próprios leitores. Acho que já era tempo da classe jornalística deixar de ser corporativista e olhar para o seu próprio umbigo com olhos de ver.

domingo, 14 de junho de 2009

O GACS e as más práticas jornalísticas nos Açores

O blogue Política Dura dedica um pertinente post à Liberdade de Imprensa e ao papel do GAGS no jornalismo açoriano, que não resisto a reforçar, com base na minha experiência jornalística (na região e fora dela). Se a criação do GACS teve um lado mau foi, de facto, o da acomodação dos jornalistas açorianos. Não tenho dúvidas que os orgãos de comunicação social são os primeiros responsáveis pelo mau uso dos comunicados do GACS. E digo-o com conhecimento pleno das condições de trabalho nos jornais da região.

O Governo faz a divulgação do que lhe convém, é certo. Mas não tenhamos ilusões: todos os jornalistas que recebem os comunicados do GACS sabem que estes vêm do Governo, logo devem fazer o trabalho de casa, seja confirmar a informação, ouvir contraditórios ou construir o seu próprio texto. No mínimo dos mínimos, exige-se que reescrevam as notícias e não as publiquem "ipsis verbis", como se de um take da LUSA se tratasse.

Esse mau uso do GACS foi, aliás, uma das coisas contra as quais mais lutei aquando da fundação do semanário Tribuna das Ilhas, do qual fui directora-adjunta entre 2002 e 2003. Hoje, é com tristeza que vejo que a minha luta não teve seguimento e que o mal se generalizou em todos os jornais da região.

Não me falem das parcas condições de trabalho, nem na pressão do fecho para desculpar esta má prática jornalística. Em todas as redacções nacionais também chovem comunicados do Governo e press releases das agências de comunicação. Mas se são publicados na íntegra é porque alguém não fez o seu trabalho, seja o jornalista que escreve a notícia ou o editor que o aceita.

Como editora, já me passaram pelas mãos textos de jornalistas que nem se tinham dado ao trabalho de reescrever os comunicados que eu lhes tinha passado como ponto de partida para a notícia. E isto aconteceu tanto com jornalistas açorianos, como com jornalistas de jornais nacionais. Escusado será dizer que as notícias não foram publicadas assim, por muito grande que fosse a pressão do fecho. Portanto, não me venham cá dizer que quando isso acontece nos Açores a culpa também é do Governo.

A única culpa que se pode atribuir ao Governo Regional dos Açores é a de ter criado uma máquina de propaganda extremamente eficaz. Mas os culpados do mau uso do GACS na imprensa açoriana são, e serão sempre, o jornalista que transcreve o texto e o chefe que lhe deu a ordem ou fechou a página. Tudo o resto são pormenores de circunstância.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A diferença entre o ser e o estar

«Na cidade estamos, no campo somos.»
António Bagão Félix, in revista GINGKO
Foto: Mário Leal/Olhares

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Descobrir o Universo a partir da ilha


Arranca hoje a II Semana de Astronomia da Horta. Até ao próximo dia 12, quem estiver pelo Faial terá a oportunidade de descobrir mais sobre as estrelas que forram o nosso ceú e os mistérios dos astros. A não perder a palestra de Nuno Peixinho, intitulada “Os últimos calhaus a contar do Sol”, agendada para dia 9, pelas 21h00, no Auditório pequeno do Teatro Faialense, e a sessão de observação nocturna na Praça do Infante, marcada para as 22h00 do dia 10 Junho.

Na rota das grandes baleias


Baleia sardinheira a sul do canal Faial-Pico (Fotos: LBulcão)


A rota das grandes baleias no mar dos Açores está a ser seguida por um inovador projecto de telemetria por satélite, desenvolvido pelo DOP e pelo IMAR, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, revela a edição portuguesa deste mês da “National Geographic”, citada hoje pelo Açoriano Oriental. Implementado no âmbito do projecto TRACE, este projecto está focado sobretudo na rota de três grandes mamíferos marinhos: a baleia azul, a baleia comum e a baleia sardinheira. Mais uma vez é a excelência da investigação que se faz na ilha do Faial ao serviço do mar que é de todos nós.