quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os regressos imperdíveis de Tabucchi

Entrevistei o escritor António Tabucchi durante a sua passagem pelo Faial em 2002 e tive a oportunidade de testemulhar in loco o seu regresso a Porto Pim 20 anos depois de ter escrito o livro que o celebrizou entre nós.
Agora, "A Mulher de Porto Pim" foi reeditada pela Difel e está novamente nas bancas. Uma oportunidade a não perder por quem ainda não degustou estas suas deambulações pelas ilhas dos Açores.
Quase ao mesmo tempo, a revista Ler deste mês consagra-lhe a capa e uma grande entrevista. São, mais uma vez, dois regressos imperdíveis.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Moinhos de esperança



O país que é hoje de parques eólicos, já o foi de moinhos. Nos Açores, também há exemplos dessa tradição artesanal, que sustentou famílias e alimentou muitas bocas. Hoje, que se celebra o Dia Nacional dos Moinhos, é tempo de homenagear essas estruturas centenárias. Mais do que isso, é tempo de repensar o seu lugar entre nós. Porque o legado histórico que representam merece mais do que um postal para turista ver.


Dois anos de saudade


Completam-se hoje e vão repetir-se ad eternum.
Será sempre o dia em que o meu coração quis gritar
e não conseguiu. Ainda hoje vive sufocado.
Crédito da foto: Edeni Mendes da Rocha

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Raízes da alma


Somos seres estranhos.
Feitos de almas nómadas e desejos andarilhos,
mas com raízes profundas e amarras eternas.
Crédito da foto: LBulcao

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Teatro à solta na cidade

Por estes dias, a cidade da Horta tem vivido submersa pela vida teatral. O III Festival de Teatro do Faial que decorre até ao próximo dia 15 de Abril é só mais uma forma de provar que os sonhos são sempre possíveis de concretizar, mesmo que demorem algum tempo. Depois de quase vinte anos sem uma digna sala de espectáculos, a vida cultural da cidade renasceu das cinzas e ruma a bom porto. Não graças à reabertura do Teatro Faialense, mas sim ao espírito de sobrevivência dos amantes das artes e a uma aposta firme na auto-formação dos actores locais. O mérito é todo deles.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O erotismo de João de Melo


Já chegou às livrarias nacionais o novo livro do consagrado escritor açoriano João de Melo. «Luxúria Branca e Gabriela» é um conto erótico com ilustrações de Francisco Simões e a chancela das Edições Nelson de Matos. Uma ediçao única, a não perder.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Os Açores de John Updike

Chegou-me há pouco pelo correio o jornal Tribuna das Ilhas desta semana, trazendo a bordo um folheto comemorativo do Dia Mundial da Poesia. Sei que o dia já passou (21 de Março foi sábado), mas não resisto a postar aqui o poema do escritor norte-americano John Updike, que as Bibliotecas Públicas dos Açores nos convidavam a ler nesse dia. Originalmente publicado na Harper's Magazine, em Janeiro de 1964, e posteriormente traduzido para português por Jorge de Sena, é um legado de prestígio para a nação açoriana.



AZORES

Great green ships
themselves, they ride
at anchor forever;
beneath the tide

huge roots of Lava
hold them fast
in mid-Atlantic
to the past.

The tourists, thrilling
from the deck,
hail shrilly pretty
hillsides flecked

with cottages
(confetti) and
sweet lozenges
of chocolate (land).

They marvel at
the dainty fields
and terraces
hand-tilled to yield

the modest fruits
of vines and trees
imported by
the Portuguese:

a rural landscape
set adrift
from centuries ago;
the rift

enlarges.
The ship proceeds.
Again the constant
music feeds

an emptiness astern,
Azores gone.
The void behind, the viod
ahead are one.


John H.Updike (1832-2009)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Pensando a ilha no seu global



Cinco personalidades ligadas à vida política e cultural da ilha abordam o passado, presente e futuro do Faial num suplemento do Expresso das Nove, publicado no final de Fevereiro mas que só agora li por inteiro. À parte as conversas políticas do costume, guardo aqui três excertos para o futuro.

«A ilha não é só cais aberto ao mundo, umbigo do Atlântico, sentinela avançada, ou espaço geo-estratégico - é, sobretudo, lugar de cultura e culturas. Nela habita um povo sábio, historicamente definido, dotado de um imaginário e de uma memória, possuidor de uma cultura e de uma identidade própria. Acima de tudo, temos que ter a consciência de que é através da cultura que poderemos marcar alguma diferença neste mundo em acelerado processo de massificação e globalização.»
Victor Rui Dores


«O cosmopolitismo, reconhecidamente saudado, que perpassou e perpassa pelas gentes faialenses resulta, fundamentalmente, da capacidade de assimilar as novas correntes culturais que ventos e marés fizeram escoar na sua abrigada baia, onde, até, a futura nação americana encontrou espaço de luta para a sua independência. Como em todas as existências, tem sido cíclico o viver faialense. Períodos de abundância contracenam com arreliantes momentos de penúria e de descalabro resultantes desta nossa intrínseca teluricidade, mas, como também é apanágio deste povo ilhéu, a luta pela sobrevivência (na Ilha ou na estranja) continuou a selar o carácter e o denodo das suas gentes.»
Ruben Rodrigues

«É tempo dos faialenses olharem para a frente e criarem os caminhos equilibrados para um desenvolvimento harmonioso, onde a justiça social seja um valor vivo e real, onde a preservação e equilíbrio ambiental seja uma constante, onde a economia produtiva seja uma realidade viva mas não delapidadora dos recursos, tudo isto num quadro de respeito pelas pessoas e de construção de uma sociedade mais culta, mais solidária, mais humana, mais aberta e mais empreendedora.»
José Decq Mota

quarta-feira, 18 de março de 2009

Um pré-reconhecimento da sacralização dos Capelinhos




















Fotos: LBulcão


«O novo Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos é uma das obras portuguesas selecionadas ao Prémio Mies van der Rohe, que se tornou o prémio oficial de arquitectura da União Europeia e é actualmente um dos mais prestigiados prémios mundiais.» A notícia veio na NS deste sábado e deveria ser motivo de celebração por todos os açorianos. Pelo menos aqui, a paisagem foi, de facto, sacralizada.

«O Arquitecto partiu das premissas de "preservar a ruína, recuperar paisagisticamente a zona, sacralizar a imagem resultante e proporcionar a compreensão de todas as fases, desde a construção do farol até aos dias de hoje. Para tal, enterrou os novos edifícios, exaltou a paisagem e propôs uma ideia de centro em que o visitante é convidado a realizar experiências vivenciais», lê-se ainda no mesmo artigo, sob o título «Sacralizar a paisagem».

O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, majestoso na estrutura e nos milhões de euros consumidos, é sem dúvida um investimento ad eternum na preservação do nosso património cultural e paisagístico.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A beleza da Horta, vista por Daniel de Sá

Crédito da foto: LBulcao

Porque há comentários que merecem ser posts e posts que nos mostram que os sonhos são sempre possíveis, transcrevo aqui a prenda que o escritor micaelense Daniel de Sá deixou n'A ilha dentro de mim.
«A Horta foi ela mesma e outros mundos. Nasceu portuguesa e flamenga, da imaginação e da vontade de Josse van Hurtere, senhor do Faial por mercê do infante D. Fernando. Foi porto de paragem e aguada para os navios da América, descanso de marinheiros que andavam à ventura e desventura dos sete mares, repouso de missionários que iam para o Brasil ganhar o Céu para as suas e outras almas. Ligou pelo telégrafo as duas margens do Atlântico, abasteceu de carvão os barcos a vapor, estreou o correio aéreo trazido num avião da Pan American que amarou na sua baía. Acolhe a maior parte dos veleiros que percorrem estas velhas rotas e recebe no Café Sport – o “Peter” – os seus tripulantes, que fazem do cais da marina um enorme painel onde deixam pintado o registo da sua passagem. É na cidade da Horta que está o parlamento açoriano e que vive quase metade dos quinze mil e quinhentos habitantes da ilha, que falam talvez o mais belo português de Portugal, apesar de terem sido flamengos muitos dos primeiros povoadores. O Faial é o vértice de um triângulo que se completa com o Pico e São Jorge. Uma beleza alucinante a que ninguém fica insensível.»
Daniel de Sá, in "Açores", edição Everest