
Cinco personalidades ligadas à vida política e cultural da ilha abordam o passado, presente e futuro do Faial num suplemento do
Expresso das Nove, publicado no final de Fevereiro mas que só agora li por inteiro. À parte as conversas políticas do costume, guardo aqui três excertos para o futuro.
«A ilha não é só cais aberto ao mundo, umbigo do Atlântico, sentinela avançada, ou espaço geo-estratégico - é, sobretudo, lugar de cultura e culturas. Nela habita um povo sábio, historicamente definido, dotado de um imaginário e de uma memória, possuidor de uma cultura e de uma identidade própria. Acima de tudo, temos que ter a consciência de que é através da cultura que poderemos marcar alguma diferença neste mundo em acelerado processo de massificação e globalização.»
Victor Rui Dores
«O cosmopolitismo, reconhecidamente saudado, que perpassou e perpassa pelas gentes faialenses resulta, fundamentalmente, da capacidade de assimilar as novas correntes culturais que ventos e marés fizeram escoar na sua abrigada baia, onde, até, a futura nação americana encontrou espaço de luta para a sua independência. Como em todas as existências, tem sido cíclico o viver faialense. Períodos de abundância contracenam com arreliantes momentos de penúria e de descalabro resultantes desta nossa intrínseca teluricidade, mas, como também é apanágio deste povo ilhéu, a luta pela sobrevivência (na Ilha ou na estranja) continuou a selar o carácter e o denodo das suas gentes.»
Ruben Rodrigues
«É tempo dos faialenses olharem para a frente e criarem os caminhos equilibrados para um desenvolvimento harmonioso, onde a justiça social seja um valor vivo e real, onde a preservação e equilíbrio ambiental seja uma constante, onde a economia produtiva seja uma realidade viva mas não delapidadora dos recursos, tudo isto num quadro de respeito pelas pessoas e de construção de uma sociedade mais culta, mais solidária, mais humana, mais aberta e mais empreendedora.»
José Decq Mota