quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A eterna magia da Montanha

Há prazeres que todos deviam experimentar pelo menos uma vez na vida. Escalar uma montanha é um deles. Mas há escaladas cujo prazer é suplantado pelo maravilhoso espectáculo que a Natureza nos oferece ao longo da viagem, como acontece na ilha negra. Para quem ainda não teve oportunidade, ou quer apenas matar as saudades, nada melhor do que este pequeno filme, da autoria de Alexandre Jesus, que descobri através de Anatomia dos Sentidos. Ver este vídeo é redescobrir a magia da subida ao Pico. Soberbo!



THE MOUNTAIN OF ATLANTIC OCEAN from Alexandre Jesus on Vimeo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Paredes de hoje


Olhando as paredes de hoje, não é difícil imaginar as paredes de ontem. Onde hoje reina a humidade e trabalha o caruncho, ontem cheirava a tinta fresca, pincelada com a energia de uma vontade quase perfeita. Uma vontade que poderia ter ultrapassado as fronteiras da pequenez. Mas que preferiu cultivar as ervas daninhas e arrancar as que davam fruto certo, esquecendo que as primeiras nunca se limitam ao seu território.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Em solidão








Buraco fundo,
vazio de imensidão,
sofrido de apartamento,
esvaído em solidão.

Lídia Bulcão


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Escultura à solta na cidade

Parece que há escultura à solta na cidade. A exposição “O avolumar do habitat”, do artista alemão Volker Schnuttgen, está na Horta para avolumar os horizontes faialenses. Mais pormenores aqui.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

No lugar dos sonhos


Ontem, um amigo realizou um sonho. E eu quedei-me por entre um misto de inveja e admiração. Observei o homem, folheei a obra e descobri que o segredo é não sonhar. Basta "escrever enquanto todos dormem".

De Herberto para Eugénio, sem esquecer Nemésio

Através do Bibliotecário de Babel descobri no site da revista cultural A.23 a existência de uma carta inédita escrita por Herberto Hélder a Eugénio de Andrade em 2000. A carta, publicada agora a propósito da passagem do aniversário do poeta, pretendia ser apenas um elogio maior à sua obra, mas revela-se uma saborosa e surprendente análise pessoal à poesia do século XX.
«Não há nenhum poeta português que possa ombrear consigo neste meio século», escreve Herberto Helder, para quem «não existe um só verso que deva ser eliminado" em toda a obra de Eugénio.
E por entre os nomes maiores que o irreverente poeta madeirense cita, surge também o mestre Vitorino: «Nemésio, que considero um poeta enorme, possui, quanto a essa "ciência artesanal", algo que é menos isso do que uma estonteante agilidade filosófica e uma perigosa facilidade verbal e versificatória. Nem sempre se aguenta bem com esses dotes».
Sem dúvida, um valioso documento que vale a pena ler na íntegra.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Tertúlia para continuar Fazendo


Em tempos de crise, nada como ser criativo para provar que merecemos um lugar ao sol noutro futuro. Prova disso é a Tertúlia Artística que a agenda cultural faialense Fazendo está a organizar para angariar fundos para manter o projecto em andamento. Um bela iniciativa, que pode servir de exemplo a muitos outros, cujo desespero parece bloquear a criatividade. É no próximo sábado, dia 24, na CASA. Mais pormenores aqui.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Mergulhe em dias mais azuis

Orcas ao pôr do Sol © Nuno Sá


Para não perder o rumo ao novo ano e ainda assim escapar à rotina dos dias cinzentos, nada como mergulhar no calendário de 2009 que a revista National Geographic oferece com a edição deste mês de Janeiro. As fotografias que ilustram os meses do novo ano foram captadas com a mestria do fotógrafo da vida selvagem Nuno Sá e mostram o melhor que o mar dos Açores têm para oferecer. São imagens intensas, que nos mostram uma realidade mais azul e quase perfeita. Tão perfeita como a imagem da capa do calendário, que valeu ao fotógrafo português, nascido no Canadá e actualmente a morar nos Açores, o prémio Wildlife Photograher of the Year no final de 2008.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Para morder o coração dos ilhéus


Estarreci às primeiras linhas do romance Morder-te o coração, de Patrícia Reis. «Tu já não te lembras. Foi há dez anos, neste mesmo quarto, a olhar o Pico, os barcos, o azul-cinza do mar calmo(…)». Ninguém me tinha avisado que o livro falava dos Açores.

Continuei a ler e depressa percebi que a «viagem alucinante pelos labirintos do desejo e da solidão», de que falava a contracapa, tinha como cais de partida um quarto de hotel com vista sobre o mar, os barcos e, ao fundo, o Pico.

Confesso que me enchi de orgulho (tolo, mas ainda assim orgulho) por o mote deste pequeno livro de bolso, editado em 2007 pela Booket, ser uma história de amor vivida num Verão Perfeito na ilha (embora o Faial nunca seja nomeado, a referência à marina deixa no ar que hotel é faialense).

Mas a verdade é que o orgulho tolo depressa ficou esquecido na voragem das linhas, feita quase de um trago, sorvendo os sabores, os cheiros e sobretudo os sentimentos que o pequeno romance transpira.
José Eduardo Agualusa chamou-lhe um livro “precioso (e raro)”. E eu poderia chamar-lhe muitas outras coisas, quase todas perfeitas. Mas prefiro antes deixar aqui três pequenos excertos, que me morderam o coração, por serem soberbos na musicalidade, na poesia das emoções e na transparência do sentimento ilhéu.

«Tinhas inveja da ilha por ter mar, por ter liberdade, mas contavas histórias
sobre as barcas nos rios e foi contigo
que aprendi que quem navega
não sabe conversar porque o rio tece mistérios vedados às palavras.»
(
Pag. 12)
«A ilha estava congelada no nosso abraço. Nos teus pensamentos era tudo o que fazia sentido.
Eu tinha um prazo. Uma vida à minha espera, um regresso feito de poucas memórias.
Ficarias em terra, náufrago de mim, sem perceber os destroços de nós.»
(Pág. 14)

«À mesa, encostado a uma almofada gigante, ele contou da ilha, do colégio de padres,
da caça às baleias, da ideia de partir e ainda da tristeza de se ser de uma terra com fim,
como quem vive num precipício, um fugaz pedaço de chão.»
(Pág. 109)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O meu tributo aos Xutos


Aí estão eles mais uma vez, prontos para conquistar o mundo, como se já não fossem donos e senhores do rock português e dos nossos corações. Hoje, em Lisboa, os Xutos e Pontapés vão apresentar "Quem é quem" aos amigos, descortinando o novo albúm, que deverá sair em Março. Trinta anos depois, continuam iguais a si próprios. Rebeldes, interessantes, originais. Foram um marco para a minha a geração, que cresceu a ouvi-los. Fizeram-se "homens do leme" sem fugir ao "circo de feras" e, sobretudo, sem nunca envelhecer. E, hoje, trinta anos depois, provam à "vida malvada" que são absolutamente incontornáveis.
Parabéns trintões!