Coisa estranha esta de ser ilhéu. Pedaço de alma rodeado de lava por todos os lados. Ou será rodeado de... poesia?
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
César baralhou e voltou a dar
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Um escritor para não perder de vista

A desorganização dos pessoanos
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Ainda há perfeitos milagres!

Boas novas para a jovem literatura portuguesa, que cada vez mais se arregaça por esse mundo fora. Prova disso é a notícia de que o escritor Jacinto Lucas Pires foi galardoado com o Prémio - David Mourão-Ferreira, um galardão que vai levar as já muitas obras deste jovem escritor aos países da União Europeia e do Mediterrâneo. Parabéns ao Jacinto e, sobretudo, aos seus futuros leitores. Afinal, ainda há perfeitos milagres!
Crédito da foto: Luísa Ferreira,1997
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Palavras de Eugénio para Nemésio

Porque os homens são humanos, porque o tempo nem sempre é justo, porque a literatura portuguesa por vezes se esquece dos nomes que melhor a personificaram, deixo aqui uma homenagem de Eugénio de Andrade a Vitorino Nemésio. Foi escrita alguns anos depois da sua morte, mas continua muito actual, já que, longe das ilhas, a obra de Nemésio continua muito desconhecida.
«A VITORINO NEMÉSIO,
ALGUNS ANOS DEPOIS
Ninguém te lê os versos, tão admiráveis
alguns, e a prosa não tem muitos leitores,
embora todos reconheçam, mesmo os que
nunca te leram, que é magnífica.
A moda é o Pessoa, coitado: dá para tudo;
e a culpa é dele, com aquela comovente
incapacidade para ser ele próprio.
De nada lhe serviu ter dito e redito
que a fama era para as actrizes.
Que vocação de carneiro têm as maiorias:
não há fúfia universitária ou machão
fardado que não diga que a pátria
é a língua ou a puta que os pariu.
Não, contigo, isso não pegou. Durante anos
e anos arrumaram-te na prateleira:
eras o Cavaleiro das Tristes Figuras.
Conversão ao catolicismo, fretes ao estado
novo, prémios do sni não ajudavam muito
a que te lessem, além de haver outros poetas
a festejar, por sinal bem medíocres, mas
«democratas
convictos», coisa que dizem que não foste.
Isto de morrer pela pátria não é para
todos e tu, decididamente, para a morte
não tinhas nenhuma inclinação. Afinal,
além dos alciões a quem davas os olhos,
só tinhas versos, e alguns bem maus,
coisa aliás de pequeníssima importância,
como exemplarmente, depois de morto, provou
Pessoa, que está, como se sabe, no paraíso.
Coitado, pensava ter tempo para pôr ordem
na arca, mas a morte veio antes da hora.
Contigo ao menos isso não aconteceu,
bebias menos, pudeste arrumar a casa.
Nada disto importa já, e de resto
que lêem esses que lêem quando lêem?»
Eugénio de Andrade, 1983
homenagens e outros epitáfios, in Poesia
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
São Martinho adiantado

O Verão de São Martinho chegou aqui um pouco adiantado. O Sol já brilha alto e o calor aquece a alma de quem sonha com castanhas, sempre quentes e boas no rezar dos pregoeiros. As minhas chegaram ontem, de avião. Vieram directamente da ilha, apanhadas na quinta dos avós e entregues por mãos amigas. Amanhã, vai ser um dia privilegiado. Nem sequer vai faltar a delicada Angelica para acompanhar...
sábado, 8 de novembro de 2008
Pormenores criativos

quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Folhas de Outono
como as almas doloridas, que se quebram ao primeiro abano.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Vidas amontoadas
Para quem ainda tenha ilusões sobre o valor da vida depois da morte, deixo aqui este instante, captado no cemitério dos Flamengos, na ilha do Faial. Estas vidas amontoadas são apenas o retrato de como os vivos já não olham pela memória dos seus mortos.
Crédito da foto: LBulcão
He did it!

