sexta-feira, 14 de novembro de 2008

César baralhou e voltou a dar

Costuma-se dizer que em equipa que ganha não se mexe. Talvez por isso Carlos César tenha mantido a nova equipa governativa quase intacta, com excepção de três caras novas. Mas a verdade é que não devia estar nada satisfeito com o desempenho dos seus trunfos, porque resolveu baralhar tudo e voltar a dar. Saiba mais aqui.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um escritor para não perder de vista



Primeiro Jacinto Lucas Pires, agora Gonçalo M. Tavares. Definitivamente, a semana está a ser grandiosa para os nossos jovens escritores. A notícia chegou-me pela Ler, mas parece que ontem já estava no Ciberescritas. Contudo, nada vi nos jornais online. Devo estar muito distraída...
O escritor português acaba de ser premiado em Itália com o Prémio Internacional Trieste 2008, atribuído ao livro “1″, originalmente publicado na Relógio D’Água.
Quando o seu livro Jerusalém foi premiado com o Prémio José Saramago, em 2005, lembro-me do Nobel português dizer do autor uma frase simples: "Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!" Agora, acho que já é tempo de reconhecer: dá vontade de o ler!

A desorganização dos pessoanos






Bem dizia Eugénio de Andrade que Pessoa servia para tudo. Olhando para as notícias do Público online aqui e aqui , é caso para dizer que nem os pessoanos conseguem "pôr ordem na arca" do poeta.







quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ainda há perfeitos milagres!


Boas novas para a jovem literatura portuguesa, que cada vez mais se arregaça por esse mundo fora. Prova disso é a notícia de que o escritor Jacinto Lucas Pires foi galardoado com o Prémio - David Mourão-Ferreira, um galardão que vai levar as já muitas obras deste jovem escritor aos países da União Europeia e do Mediterrâneo. Parabéns ao Jacinto e, sobretudo, aos seus futuros leitores. Afinal, ainda há perfeitos milagres!


Crédito da foto: Luísa Ferreira,1997

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Palavras de Eugénio para Nemésio


Porque os homens são humanos, porque o tempo nem sempre é justo, porque a literatura portuguesa por vezes se esquece dos nomes que melhor a personificaram, deixo aqui uma homenagem de Eugénio de Andrade a Vitorino Nemésio. Foi escrita alguns anos depois da sua morte, mas continua muito actual, já que, longe das ilhas, a obra de Nemésio continua muito desconhecida.

«A VITORINO NEMÉSIO,
ALGUNS ANOS DEPOIS

Ninguém te lê os versos, tão admiráveis
alguns, e a prosa não tem muitos leitores,
embora todos reconheçam, mesmo os que
nunca te leram, que é magnífica.
A moda é o Pessoa, coitado: dá para tudo;
e a culpa é dele, com aquela comovente
incapacidade para ser ele próprio.
De nada lhe serviu ter dito e redito
que a fama era para as actrizes.
Que vocação de carneiro têm as maiorias:
não há fúfia universitária ou machão
fardado que não diga que a pátria
é a língua ou a puta que os pariu.
Não, contigo, isso não pegou. Durante anos
e anos arrumaram-te na prateleira:
eras o Cavaleiro das Tristes Figuras.
Conversão ao catolicismo, fretes ao estado
novo, prémios do sni não ajudavam muito
a que te lessem, além de haver outros poetas
a festejar, por sinal bem medíocres, mas
«democratas
convictos», coisa que dizem que não foste.
Isto de morrer pela pátria não é para
todos e tu, decididamente, para a morte
não tinhas nenhuma inclinação. Afinal,
além dos alciões a quem davas os olhos,
só tinhas versos, e alguns bem maus,
coisa aliás de pequeníssima importância,
como exemplarmente, depois de morto, provou
Pessoa, que está, como se sabe, no paraíso.
Coitado, pensava ter tempo para pôr ordem
na arca, mas a morte veio antes da hora.
Contigo ao menos isso não aconteceu,
bebias menos, pudeste arrumar a casa.

Nada disto importa já, e de resto
que lêem esses que lêem quando lêem?»

Eugénio de Andrade, 1983
homenagens e outros epitáfios, in Poesia

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

São Martinho adiantado





O Verão de São Martinho chegou aqui um pouco adiantado. O Sol já brilha alto e o calor aquece a alma de quem sonha com castanhas, sempre quentes e boas no rezar dos pregoeiros. As minhas chegaram ontem, de avião. Vieram directamente da ilha, apanhadas na quinta dos avós e entregues por mãos amigas. Amanhã, vai ser um dia privilegiado. Nem sequer vai faltar a delicada Angelica para acompanhar...

sábado, 8 de novembro de 2008

Pormenores criativos


Mais uma oportunidade para apreciar os pormenores criativos da ilustradora Rute Reimão, que com as suas mãos de fada consegue sempre desencantar vida onde ela parece já não existir. A exposição senão a ti - a ti é inaugurada hoje na loja/atelier Rosa Malva e pode ser visitada até ao próximo dia 4 de Dezembro. Se passar pelo Porto, não perca esta oportunidade. Se não passar, vá até ao blogue da ilustradora e descubra mais pormenores de encantar. Só para quem não medo dos sentimentos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Folhas de Outono



Secas, duras e estaladiças são as folhas do Outono,
como as almas doloridas, que se quebram ao primeiro abano.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vidas amontoadas









Para quem ainda tenha ilusões sobre o valor da vida depois da morte, deixo aqui este instante, captado no cemitério dos Flamengos, na ilha do Faial. Estas vidas amontoadas são apenas o retrato de como os vivos já não olham pela memória dos seus mortos.

Crédito da foto: LBulcão

He did it!


Baracka Obama conseguiu. Ele foi eleito o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América e fê-lo levando os americanos afogados em crise a acreditar que um futuro melhor ainda é possível. Hoje, o dia é do homem que não teve medo de sonhar e de todos os que acreditaram que era possível ir mais longe do que os sonhos. Em hora de euforia, não há como deixar de celebrar a vitória da esperança num País que estava a deixar-se entrar em ruína. Que tenha sido também uma lição para o mundo!