Ontem, os meus avós maternos comemoraram 62 anos de casados. Isso mesmo, 62 anos de uma vida construída a dois, com todos os altos e baixos que se esperam numa qualquer vida, recheada de momentos felizes e intercalados com outros mais difíceis.
Pelo meio desses 62 anos de casamento, criaram duas filhas, viram nascer quatro netas e conheceram o tardio prazer de um bisneto, sem nunca deixarem de ser um pilar na comunidade que os rodeia. E quando a vida parecia já nada lhes poder ensinar, sentiram a amarga dor de perder uma filha.
Aos 80 anos de idade, os meus avós aprenderam ainda que a vida nos reserva sempre mais do que esperamos dela. E hoje, apesar da dor que não acaba e do sofrimento que não esquece, os meus avós ainda são capazes de sorrir.
Quando vejo o brilho que ilumina os olhos do meu avô cada vez que olha para o bisneto, percebo que a felicidade pode ser uma coisa muito simples. E ao ouvir a transformação na voz da minha avó quando fala com o meu filho ao telefone compreendo que, afinal, a lonjura só nos aparta do que não amamos.
Para eles, o meu amor e a minha homenagem.
Para eles, o meu amor e a minha homenagem.



