terça-feira, 21 de agosto de 2007

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Sem hora marcada

Um grito no escuro
que nos arranca a alma
Um frio na espinha
que penetra nos ossos
Um minuto de som
que não se perde com os anos

Eco inevitável

Às três e meia, o galo cantou. Não uma. Não duas, mas três vezes. Ao mesmo tempo, o menino chorou. Não uma, não duas, mas três vezes. Como se fosse um eco inevitável, como se o mundo dependesse daquele som. Como se nada mais importasse. E na verdade não importa. Porque o mundo onde ouvi o galo cantar é o mesmo onde não quero ouvir ninguém chorar.

Memórias

Um cheiro que não esquece
Um sabor que perdura
Um manjar que deleita
Uma viagem segura

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Lua de Prata

Lua de prata
que te espelhas no horizonte,
desce ao azul
que ameaça perder-se
na profundidade


Lua branca
que pareces cair sobre o mundo,
desce à vida
que se lentamente se acanha
à superfície


Lua grande
que encandeias a noite,
desce à solicão
que alumia a alma
da açorianidade

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Preparando o regresso

Preparo o regresso
de malas e receios
Arrumo os sentidos
sem medos nem prantos
Enterro os medos
na caixa dos danos
E espero que a ilha
perdoe desencantos

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Matéria d'Alma

A terra vulcânica e o basalto negro fazem parte de mim. Como se corressem nas minhas veias, como se estivessem dentro da minha carne. São eles que compõem a matéria de que é feita a minha alma.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Paraíso vulcânico

As palavras brotam na minha cabeça, vindas do nada. Como se um vulcão rebentasse lá dentro e tivesse que sair para qualquer lado. Os pensamentos, esses, chegam a ter o peso da lava. E senão escorrerem para qualquer lado, explodem.

Quando escorrem, esses pensamentos com peso de lava formam palavras, moldadas pela escrita que as ajeita, arrumando-as da forma que o coração sente. Depois de solidificadas, transformam o papel, e a vida com ele.

O que fica, é uma imensa paisagem de sensações, que se renovam cada vez que são pronunciadas, como o espírito se enche quando olha a corrente de lava solidificada. O resultado é uma espécie de paraíso vulcânico, que dá força à alma e lava o coração.

sábado, 30 de junho de 2007

O regresso

O brilhozinho nos olhos mostra o que as palavras já não conseguem dizer. O seu olhar sorridente faz-me lembrar o meu próprio olhar quando regressava a casa. É o olhar da saudade, da ânsia do regresso, da certeza de que o que desejamos está ali, ao alcance dos olhos e, portanto, também do coração.


Era assim que me sentia quando vinha de férias. E é assim que ela se sente quando regressa a casa. O olhar que outros levam quando vão para destinos incertos, à procura de aventuras e lazer, é o que ela traz no regresso.


No fio daquele olhar, do brilho que não fala mas diz tudo, está o peso das vivências dos últimos dias, em que as lágrimas correram a uma velocidade mais assustadora do que as certezas que temos sobre o futuro.


A turbulência que o avião deixa sentir parece reflectir a turbulência que vai dentro dela, dividida entre a felicidade que não consegue viver e a tristeza que não pode sentir. E a divisão é tremenda.