Odor de sol
Toque de vento
Sabor de maresia
Brisa de pele
Coisa estranha esta de ser ilhéu. Pedaço de alma rodeado de lava por todos os lados. Ou será rodeado de... poesia?
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Sem hora marcada
Um grito no escuro
que nos arranca a alma
Um frio na espinha
que penetra nos ossos
Um minuto de som
que não se perde com os anos
que nos arranca a alma
Um frio na espinha
que penetra nos ossos
Um minuto de som
que não se perde com os anos
Eco inevitável
Às três e meia, o galo cantou. Não uma. Não duas, mas três vezes. Ao mesmo tempo, o menino chorou. Não uma, não duas, mas três vezes. Como se fosse um eco inevitável, como se o mundo dependesse daquele som. Como se nada mais importasse. E na verdade não importa. Porque o mundo onde ouvi o galo cantar é o mesmo onde não quero ouvir ninguém chorar.
Memórias
Um cheiro que não esquece
Um sabor que perdura
Um manjar que deleita
Uma viagem segura
Um sabor que perdura
Um manjar que deleita
Uma viagem segura
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Lua de Prata
Lua de prata
que te espelhas no horizonte,
desce ao azul
que ameaça perder-se
na profundidade
Lua branca
que pareces cair sobre o mundo,
desce à vida
que se lentamente se acanha
à superfície
Lua grande
que encandeias a noite,
desce à solicão
que alumia a alma
da açorianidade
que te espelhas no horizonte,
desce ao azul
que ameaça perder-se
na profundidade
Lua branca
que pareces cair sobre o mundo,
desce à vida
que se lentamente se acanha
à superfície
Lua grande
que encandeias a noite,
desce à solicão
que alumia a alma
da açorianidade
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Preparando o regresso
Preparo o regresso
de malas e receios
Arrumo os sentidos
sem medos nem prantos
Enterro os medos
na caixa dos danos
E espero que a ilha
perdoe desencantos
de malas e receios
Arrumo os sentidos
sem medos nem prantos
Enterro os medos
na caixa dos danos
E espero que a ilha
perdoe desencantos
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Matéria d'Alma
A terra vulcânica e o basalto negro fazem parte de mim. Como se corressem nas minhas veias, como se estivessem dentro da minha carne. São eles que compõem a matéria de que é feita a minha alma.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Paraíso vulcânico
As palavras brotam na minha cabeça, vindas do nada. Como se um vulcão rebentasse lá dentro e tivesse que sair para qualquer lado. Os pensamentos, esses, chegam a ter o peso da lava. E senão escorrerem para qualquer lado, explodem.
Quando escorrem, esses pensamentos com peso de lava formam palavras, moldadas pela escrita que as ajeita, arrumando-as da forma que o coração sente. Depois de solidificadas, transformam o papel, e a vida com ele.
O que fica, é uma imensa paisagem de sensações, que se renovam cada vez que são pronunciadas, como o espírito se enche quando olha a corrente de lava solidificada. O resultado é uma espécie de paraíso vulcânico, que dá força à alma e lava o coração.
Quando escorrem, esses pensamentos com peso de lava formam palavras, moldadas pela escrita que as ajeita, arrumando-as da forma que o coração sente. Depois de solidificadas, transformam o papel, e a vida com ele.
O que fica, é uma imensa paisagem de sensações, que se renovam cada vez que são pronunciadas, como o espírito se enche quando olha a corrente de lava solidificada. O resultado é uma espécie de paraíso vulcânico, que dá força à alma e lava o coração.
sábado, 30 de junho de 2007
O regresso
O brilhozinho nos olhos mostra o que as palavras já não conseguem dizer. O seu olhar sorridente faz-me lembrar o meu próprio olhar quando regressava a casa. É o olhar da saudade, da ânsia do regresso, da certeza de que o que desejamos está ali, ao alcance dos olhos e, portanto, também do coração.
Era assim que me sentia quando vinha de férias. E é assim que ela se sente quando regressa a casa. O olhar que outros levam quando vão para destinos incertos, à procura de aventuras e lazer, é o que ela traz no regresso.
No fio daquele olhar, do brilho que não fala mas diz tudo, está o peso das vivências dos últimos dias, em que as lágrimas correram a uma velocidade mais assustadora do que as certezas que temos sobre o futuro.
A turbulência que o avião deixa sentir parece reflectir a turbulência que vai dentro dela, dividida entre a felicidade que não consegue viver e a tristeza que não pode sentir. E a divisão é tremenda.
Era assim que me sentia quando vinha de férias. E é assim que ela se sente quando regressa a casa. O olhar que outros levam quando vão para destinos incertos, à procura de aventuras e lazer, é o que ela traz no regresso.
No fio daquele olhar, do brilho que não fala mas diz tudo, está o peso das vivências dos últimos dias, em que as lágrimas correram a uma velocidade mais assustadora do que as certezas que temos sobre o futuro.
A turbulência que o avião deixa sentir parece reflectir a turbulência que vai dentro dela, dividida entre a felicidade que não consegue viver e a tristeza que não pode sentir. E a divisão é tremenda.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
O choro da matriarca
A matriarca gritou.
Deixou correr as lágrimas
e os sons do desespero.
Perdeu a vergonha de mostrar
a fraqueza. E abriu o coração
para deixar sair a dor.
Deixou correr as lágrimas
e os sons do desespero.
Perdeu a vergonha de mostrar
a fraqueza. E abriu o coração
para deixar sair a dor.
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