Da minha janela vejo um rio
que bem podia ser mar,
não fossem as águas tão calmas
e o horizonte tão claro.
Mas as águas calmas
não sabem a azul profundo
e o horizonte, esse,
não abriga mares abertos.
Coisa estranha esta de ser ilhéu. Pedaço de alma rodeado de lava por todos os lados. Ou será rodeado de... poesia?
quarta-feira, 20 de junho de 2007
terça-feira, 19 de junho de 2007
Ilhéu
Pedaço de vida perdido no horizonte,
entre o cá da memória e o lá da imaginação.
Pedaço de maré indo e voltando,
ao som das algas e dos remoinhos de areia.
Pedaço de ilha ausente dos mapas,
feito rota perdida sem cumprir seu destino.
feito rota perdida sem cumprir seu destino.
Lídia Bulcão
A minha ilha
Perguntam-me frequentemente qual é a minha ilha. A resposta podia ser simples. Podia ser, mas não é. Porque o nome de uma ilha não a define.
Dizer como se chama a minha ilha não diz mais sobre mim do que dizer como eu própria me chamo. Um nome é apenas um indicador, uma mera referência espaço-temporal. Já a ilha, essa, é tudo menos um lugar estanque.
Mais do que um cais de partida para aventuras insensatas, ou um porto de abrigo para as tempestades irrequietas, a minha ilha é o lugar onde consigo ver para além do horizonte.
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